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quinta-feira, 24 de julho de 2025

Tiago Alberione e Tecla Merlo: terra boa onde a Palavra produziu frutos admiráveis

No Evangelho de Mateus (13,1-9), Jesus nos apresenta uma de suas parábolas mais conhecidas: a do semeador. Ele sai a semear generosamente, espalhando a semente por toda parte – pelo caminho, entre pedras, entre espinhos e em terra boa. A semente é a Palavra de Deus, viva e eficaz, mas o seu fruto depende da qualidade do solo onde ela cai. Assim, Jesus não apenas nos fala da generosidade divina que semeia sem cessar, mas também nos convida a examinar nosso coração: que tipo de solo somos?

Neste texto  encontramos um elo profundo com a vida e missão do Beato Tiago Alberione e da Venerável Mestra Tecla Merlo. Eles foram terra boa onde a Palavra caiu e produziu frutos admiráveis – frutos que ainda alimentam a Igreja e o mundo por meio da Família Paulina.

1. O Semeador que acreditou nos meios modernos: O Beato Alberione entendeu desde muito jovem que a Palavra precisava ser semeada também por “outros púlpitos”, como ele dizia – as gráficas, o rádio, o cinema, a televisão, e hoje, também a internet. Ele foi um semeador ousado. Viu os meios de comunicação como campos férteis onde a Palavra podia germinar. Com o coração apaixonado por Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, lançou a semente da comunicação evangelizadora como ninguém.

Assim como na parábola, Alberione também viu muitos terrenos difíceis: incompreensões, dificuldades técnicas, limitações humanas. Mas não desanimou. Seu olhar estava fixo na colheita que viria, e ele confiava no poder da Palavra. Por isso, fundou Congregações, Institutos Seculares e os Cooperadores Paulinos, todos voltados para anunciar o Evangelho com os meios mais modernos.

2. Tecla: terra boa, coração generoso, mulher forte, serena, profundamente espiritual. Ela foi a primeira Filha de São Paulo, a primeira a acreditar na proposta ousada de evangelizar com a imprensa e depois com tantos outros meios. Em sua vida, vemos um coração totalmente disponível à vontade de Deus – exatamente o tipo de terra boa que Jesus descreve.

Tecla acolheu a Palavra com fé, cultivou-a com oração e entrega, e a fez frutificar com o trabalho incansável, a formação das Irmãs e o zelo missionário. Quantas vocações surgiram porque ela acreditou! Quantos livros, revistas, programas, materiais catequéticos nasceram por causa de sua fé!

Ela mesma dizia: “Vamos fazer o bem! Muito bem!” – e esse “bem” era levar Jesus às pessoas, onde quer que estivessem. Seu solo era fértil porque era feito de humildade, coragem e profunda comunhão com o Senhor.

3. E nós? Que tipo de solo somos hoje? Diante desse Evangelho e dessas testemunhas luminosas, somos convidados a olhar para nós mesmos. Jesus continua semeando hoje. A Palavra continua sendo lançada por muitos meios. Mas será que ela encontra em nós uma terra acolhedora? Somos apenas ouvintes distraídos, como a semente caída à beira do caminho? Temos raízes superficiais, como a semente entre pedras, que não resiste ao sol do sofrimento? Estamos sufocados por tantas preocupações e seduções, como os espinhos que impedem o crescimento? Ou, como Alberione e Tecla, estamos dispostos a ser terra boa, que acolhe, cultiva e multiplica a Palavra?

4. A missão continua: A missão iniciada por esses dois grandes servos de Deus continua nas mãos daqueles que acolhem a Palavra e se deixam transformar por ela. Cada um de nós, através de nossa vocação paulina, somos convidados a ser terra boa na Congregação, no apostolado, na comunidade e, especialmente, na evangelização.

A Família Paulina, herdeira desse carisma, é chamada a continuar semeando, mesmo em tempos difíceis, acreditando que a Palavra não volta sem ter produzido seu efeito (cf. Is 55,11). 


Pe. Antonio Lúcio Lima, ssp

22/07/2025

domingo, 20 de agosto de 2023

Alberione: carisma da comunicação para a Igreja


Por Antonio F. da Silva, ssp


No início do século XX, na Itália, leigos católicos aspiravam a uma renovação evangélica, para que a Igreja voltasse a ser ação e vida, segundo o espírito de Cristo. O movimento futurista, por sua vez, intuía as grandes transformações do mundo, que as invenções modernas iriam causar, consagrando como nova beleza a velocidade. Enquanto isso, o jovem Tiago Alberione se preparava para um sacerdócio diferente, por meio do estudo da reflexão e da experiência pastoral. Queria promover o exercício de uma pastoral atualizada, feita por homens e mulheres, capazes de pôr as invenções modernas a serviço do Evangelho. Anos mais tarde, quando as instituições da Família Paulina já estavam consolidadas, Paulo VI reconheceu: “O nosso padre Tiago Alberione deu à Igreja novos instrumentos para se comunicar, novos meios para dar vigor e vastidão ao seu apostolado, nova capacidade e nova consciência do valor e da possibilidade da sua missão no mundo moderno e com meios modernos”.

A vida do bem-aventurado Tiago Alberione transcorreu entre 1884 e 1971. Teve como berço natal a região do Piemonte, na Itália, e como raiz eclesial a diocese de Alba. Na paróquia de São Martinho, em Cherasco, e nos seminários de Bra e Alba, recebeu a típica formação eclesiástica da época, feita de assimilação dos valores da tradição e, ao mesmo tempo, não isenta de fechamento às tendências da atualidade.

1. Postulados carismáticos de padre Alberione

Ao concluir a formação seminarística e ser ordenado sacerdote, em 1907,[1] Tiago Alberione surpreende pela abertura ao tempo presente, polarizada em algumas escolhas que constituem verdadeiros postulados carismáticos de sua missão.

1.1. O postulado da modernidade

No memorial do itinerário da fundação da Pia Sociedade de São Paulo, de 1914 até 1949, ano da aprovação pontifícia definitiva, padre Tiago Alberione podia afirmar ponderadamente: “O Instituto […] segue os tempos, inspira-se em uma sã modernidade”.[2] Essa afirmação teria sido problemática se enunciada nos primeiros tempos da fundação. De fato, Tiago Alberione se formou e iniciou sua obra em meio ao conflito entre a Igreja e a sociedade moderna.

Não se conhece o movente pelo qual o progresso das ciências e as possibilidades oferecidas pelas novas invenções encontraram no jovem Alberione uma sintonia inata.

 1.2. O postulado da atualidade pastoral

Em seus memoriais, Alberione descreve como se encontrou em meio ao fogo cruzado de duas correntes opostas do clero: “Uma parte ainda parada nos antigos métodos de vida e pastoral; a outra, convencida da necessidade de sistemas, organizações e iniciativas pastorais atualizadas”[3] (AD 49).

Ao término da formação, Tiago Alberione se sente chamado a realizar o sacerdócio ministerial, usando os meios mais aptos, oferecidos pela modernidade, para responder às necessidades pastorais da atualidade.

1.3. O postulado paulino

Leão XIII, por ocasião da passagem entre o século XIX e o século XX, publicou a Encíclica sobre Jesus Cristo Redentor, conhecida pelas palavras iniciais como Tametsi futura.[4] Alberione declara ter assumido esse documento como herança sagrada.

O papa inicia a encíclica analisando a situação no final de século XIX à luz do primeiro capítulo da Carta de São Paulo aos Romanos. Propõe como tarefa para a Igreja do século XX a missão de “reunir todas as coisas em Cristo Caminho, Verdade e Vida” (cf. Ef 1,10; Jo 14,6).

Na noite de 31 de dezembro de 1900, durante a solene adoração eucarística na catedral de Alba, foi lida também a Tametsi futura. O jovem Alberione sentiu dirigidas a si as palavras de Jesus no Evangelho: “Venham a mim, todos vocês que andam cansados e curvados pelo peso do fardo, e eu lhes darei descanso” (Mt 11,28). Sentiu também que Deus estaria chamando muitos outros para trabalhar com ele na missão de evangelizar, usando as modernas invenções da comunicação.

É interessante notar como o estudo e a meditação levaram Alberione a entrever que a melhor interpretação da Tametsi futura apresenta Cristo através da personalidade e das cartas de São Paulo. Este mostra Jesus “como doutor, hóstia e sacerdote; apresenta-nos o Cristo total, como ele mesmo já se definira: Caminho, Verdade e Vida” (cf. AD 159-160).

1.4. O postulado da ação pastoral da mulher

Sensível às necessidades do momento, Alberione orientou-se decididamente a valorizar a importância da mulher na ação pastoral: “O nosso é o século XX; nele, nos toca viver e agir. […] Sejamos de nosso tempo, e façamos com que a mulher seja de nosso tempo”.[5]

2. Alberione e dois grandes mestres de pastoral

Alberione escreveu que, naquela noite de adoração eucarística, “sentiu-se profundamente obrigado a preparar-se para fazer algo pelo Senhor e pelos homens do novo século com os quais viveria” (AD 15).

Foi providencial, para o longo trabalho de preparação de Alberione, começado em 1900, encontrar um válido instrumento de síntese na obra de dois mestres de pastoral: “Quanto ao caráter pastoral no apostolado paulino, tomou muito de dois grandes mestres: Swoboda, Cura de almas nas grandes cidades;[6] e Krieg, Teologia Pastoral, 4 volumes, que leu e releu durante dois anos”.[7]

Fundamental para Alberione, a obra de Swoboda veio ao encontro desse postulado da atualidade pastoral. Trata-se, de fato, não apenas de esplêndido exemplo de aplicação da Sociologia à Pastoral, mas também de um estudo de Teologia Pastoral animado por grande competência e zelo apostólico.

As obras de Cornélio Krieg tiveram como referência o conceito de enciclopédia,[8] caro a padre Alberione e ao cônego Francisco Chiesa. Querem apresentar toda a pastoral unificada segundo as três funções salvíficas de Cristo, consideradas à luz de Cristo Caminho, Verdade e Vida.[9]

O ensinamento de Krieg marcou profundamente a personalidade e toda a obra de Alberione, até mesmo em relação ao projeto da Família Paulina.[10]

3. A Família Paulina[11] – homens e mulheres para a comunicação pastoral[12]

Conhecido como “senhor teólogo”, Alberione, além do ministério de diretor espiritual do Seminário de Alba, assume o ensino de Teologia Pastoral, que lhe dá a ocasião de publicar duas obras programáticas, que contêm os frutos de sua preparação para as futuras fundações.

3.1. Anotações de Teologia Pastoral

A edição de 1912 de Anotações de Teologia Pastoral (= ATP) foi publicada principalmente como apostila para as aulas de pastoral. Depois de ser atentamente melhorada, veio à luz pelo editor pontifício Pietro Marietti, em 1915.[13]

Trata-se de manual prático para ajudar os jovens sacerdotes a assumir o trabalho pastoral nas paróquias, indicando outros autores para uma visão mais teórica.

O livro contém três partes, articuladas como fundamento, aplicação e atuação.

Na primeira parte, “Os fundamentos do zelo”, padre Alberione põe como base da ação pastoral a formação da personalidade do pastor ou apóstolo, que deve ter como programa de vida a tríplice referência: Eu – Deus – Povo (p. 1).

A este tríplice fundamento corresponde uma tríplice referência, ou seja, ciência – santidade – apostolado: “O sacerdote, portanto, não é simples sábio; não é também um simples santo; mas é um sábio-santo, que se serve da ciência e da santidade para se tornar apóstolo, isto é, para salvar as almas” (p. 2).

Colocado o fundamento do zelo na primeira parte de ATP, padre Alberione passa a aplicar as aquisições aí obtidas para descrever a ação pastoral nos quatro preciosos capítulos da segunda parte: “Sobre a cura pastoral e seus meios gerais”. Alberione serve-se da definição dada por Swoboda, que identifica a ação pastoral com o mesmo ministério de Jesus Cristo: “O que é. – É a ação de Jesus Cristo e da sua Igreja, exercida pelo sacerdócio para a salvação das almas” (p. 81).

Posto em evidência o “que” da ação pastoral, identificando-a com ação de Cristo, e apontados os primeiros princípios que dela decorrem, padre Alberione dá as indicações para que a ação da Igreja, através da comunidade sacerdotal, possa atualizar o tríplice ministério de Cristo. Para o presente trabalho, merece atenção especial a exortação sobre a importância de dar endereço moderno às obras:

O mundo caminha, a despeito dos laudatores temporis anteacti [saudosistas] […] e o sacerdote que assume uma posição contrária a essas boas novidades perderia a estima e o afeto do povo, sobretudo do grupo culto. […] Nossa obrigação é conduzir as almas ao paraíso, não aquelas que viveram há dez séculos, mas aquelas que vivem hoje. É necessário que o mundo e os homens sejam assumidos como são hoje, para fazer o bem hoje (p. 91).

Nos nove capítulos que compõem a terceira parte de ATP, “Sobre algumas particulares próprias do zelo sacerdotal”, padre Alberione trata dos sacramentos da confissão e da comunhão, da liturgia, da pregação, do catecismo, das devoções, da Ação Católica e suas obras, das vocações religiosas, da organização das festas e da construção das Igrejas.

Pode-se entrever o caráter programático do livro em relação às futuras fundações de padre Alberione, pelo fato de dedicar um dos últimos capítulos às vocações religiosas (p. 354-358).

3.2. A mulher associada ao zelo sacerdotal

O tema do zelo percorre como fio condutor todo o livro ATP. Mas padre Alberione achou importante reservar para outro livro a aplicação do zelo sacerdotal à necessidade de abrir espaço à mulher na ação pastoral. Por esse motivo, atesta que, logo depois da ordenação sacerdotal, começou a redação do livro A mulher associada ao zelo sacerdotal (= DA), publicado em 1915.

As três partes do livro estão em perfeito paralelo com as de ATP. Põe os fundamentos na primeira parte: “A mulher pode e deve tornar-se cooperadora do zelo sacerdotal”. A segunda parte: “Em que obras a mulher, nos dias de hoje, pode colaborar com o zelo sacerdotal”. Expõe o perfil da atuação da mulher na ação pastoral. Merecem destaque aqui as encorajantes considerações de Alberione sobre o que a mulher pode realizar na ação pastoral por meio da imprensa. Terceira parte: “Como pode o sacerdote formar e dirigir a mulher em sua missão”. É um vade-mécum que ajuda os sacerdotes a pôr em prática a atuação da mulher na ação pastoral. É ao mesmo tempo um forte convite: “Formemo-nos para o conveniente cuidado pastoral da mulher, com estudo e com ardente piedade” (p. 223).

Orientado a abrir espaço para a ação pastoral da mulher, como fez em ATP, Alberione termina o presente livro escrevendo sobre as religiosas. Afirma: “Com razão, foram chamadas irmãs do zelo sacerdotal” (p. 331).

3.3. “Escritores, técnicos e propagandistas, porém religiosos e religiosas” (AD 24)

Depois de longa preparação e amadurecimento, padre Tiago Alberione recebeu um convite do bispo como sinal de Deus que indicava o tempo de iniciar a missão de trabalhar com a imprensa e dar início às suas fundações. Em 8 de setembro de 1913, de fato, Dom Francisco Re o convidou para assumir a direção do jornal Gazzetta d’Alba. Imediatamente, ainda em 1913, Alberione deu início também à revista Vida Pastoral.

Em 26 de julho de 1914, comprou as máquinas tipográficas e alugou alguns locais no centro de Alba. Estando convencido, porém, de que as obras de Deus são realizadas por pessoas de Deus, em 20 de agosto reuniu os primeiros jovens, embrião da futura Pia Sociedade de São Paulo.

Em 15 de junho, padre Alberione deu início à Oficina de costura, para as Alunas da Escola Tipográfica, primeiro núcleo da futura Pia Sociedade Filhas de São Paulo. Em 1917, elas abriram a primeira livraria. No fim de 1918, um pequeno grupo dessas jovens entra no vivo do carisma da comunicação, sendo enviadas a Susa, onde prodigiosamente fazem renascer o jornal diocesano La Valsusa.

Os ramos masculino e feminino das primeiras fundações de padre Alberione se desenvolveram rapidamente em número de pessoas e de publicações. Vivia-se um clima de entusiasmo apostólico. Todos estavam convencidos de que responder com publicações à sede popular de ler era tornar-se “São Paulo redivivo”, pois diziam: “Se ele vivesse hoje, seria jornalista”.

Segundo Krieg, na pessoa do sacerdote há três vocações especiais: uma para anunciar, uma para celebrar, uma para catequizar. Padre Alberione quis que essa tríplice função sacerdotal fosse assumida como pastoral de conjunto por sua família religiosa, atribuindo cada “vocação especial” ou função salvífica, não a uma só pessoa, mas a uma inteira congregação. Foi assim que sentiu a exigência de fundar, em 1924, as Pias Discípulas do Divino Mestre, e, em 1938, as Irmãs de Jesus Bom Pastor ou Pastorinhas. Atribuiu a função do Anúncio, expressa no título de Cristo Verdade ou Mestre, principalmente à Sociedade de São Paulo e às Filhas de São Paulo. A função da Liturgia, expressa no título de Cristo Vida ou Sacerdote, especialmente às Pias Discípulas. A função da Catequese, expressa no título de Cristo Caminho ou Pastor, especialmente às Irmãs Pastorinhas (Cf. AD 33-34).

Mais tarde, padre Alberione fundou o Instituto das Irmãs Apostolinas, quatro institutos de vida secular consagrada, e deixou encaminhada a fundação de um instituto para a família. Essas fundações, juntamente com a associação dos cooperadores paulinos, constituem a Família Paulina, chamada a viver e dar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

3.4. Alberione deu à Igreja novos meios para se comunicar

Desde os inícios da fundação, reinava na Família Paulina verdadeiro entusiasmo pelas invenções da modernidade. Exaltava-se a imprensa como “rei dos tempos”.[14] As máquinas tipográficas postas a serviço da evangelização inspiravam aos paulinos a composição de um novo cântico das criaturas: “Estas máquinas maravilhosas se tornam queridas e veneráveis, como é sagrado e venerável o púlpito para o orador sagrado. Como são belas as máquinas destinadas aos evangelizadores do bem!”.

Alberione proclamava a urgência de servir-se dos meios mais céleres para uma nova evangelização: “O mundo precisa de uma nova, longa e profunda evangelização. […] O meio adequado não pode fornecê-lo senão a imprensa, e apóstolos zelosos não os podem dar senão a juventude”.[15]

Os jovens e as jovens se deixavam conquistar por esse ideal, e numerosos entravam a fazer parte da Família Paulina. Padre Alberione sentiu a necessidade de lhes oferecer um vade-mécum formativo. O livro Apostolado da imprensa[16] (1933) traça a ratio formationis do apostolado paulino. Oferece um rico quadro de referência teológico e espiritual, que serve para desenvolver uma ação apostólica com os meios modernos.[17] O texto foi reelaborado e publicado em 1944, com o título O apostolado da edição.[18]

Como síntese do espírito pastoral desses dois manuais, podemos considerar parte do texto publicado no boletim interno sobre o apostolado da imprensa:

O apostolado-imprensa é, como o apostolado-palavra, a pregação, explicação e aplicação da divina verdade aos povos.

Este pede, portanto: a mesma preparação, as mesmas disposições, os mesmos meios. Dirigir um periódico é bem diferente de fazer um artigo ou livro, ou colaborar numa revista.

O segredo da direção não é apenas dirigir: requer mente, alma e coração sacerdotal que decididamente caminha para o céu e indica o caminho, inovando e atraindo consigo uma multidão de almas. A mente bem iluminada brilha como lâmpada colocada no alto para iluminar a quantos se encontram na casa do Pai. Um coração cheio de graça entra nos corações como fermento evangélico colocado no meio da massa. Uma vida ardente toda para Deus realiza o mandamento do Mestre, e resplandece diante dos homens que veem as boas obras e glorificam o Pai celeste. […] Dirigir verdadeiramente à maneira de Jesus Cristo, inteiramente, tornando-nos caminho, verdade e vida![19]

Respondendo ao chamado de Deus, padre Alberione assim codificou, nas Constituições, a missão da Pia Sociedade de São Paulo:

Os membros trabalhem com todas as forças para a glória de Deus e a salvação das almas… especialmente com o apostolado das edições, isto é, com a imprensa, o cinema e o rádio, e com os outros meios mais frutuosos e mais rápidos, quais são as invenções que o progresso humano fornece e que as necessidades e condições dos tempos requerem. Cuidem, portanto, os superiores que não se deixe para a ruína dos homens coisa nenhuma de tudo aquilo que, por disposição de Deus, o progresso inventou no campo das ciências humanas e da técnica industrial (Art. n. 2).

Cuidado especial de Alberione foi a publicação de Bíblias, livros de catequese, liturgia e patrística. Foram 23 as revistas por ele fundadas, algumas com edições em várias partes do mundo.

Em 1936, padre Alberione se orienta para dar início ao apostolado do cinema. Em 4 de dezembro de 1938, o filme Abuna Messias, filmado na Etiópia pela São Paulo Filmes, obtém o prêmio Leão de Ouro, na Exposição Cinematográfica de Veneza, mas sua divulgação foi duramente comprometida pela guerra.

Não obstante as grandes dificuldades do após-guerra, padre Alberione deu grande impulso ao trabalho pastoral através do cinema. Em agosto de 1950, começou a filmagem de Mater Dei, que foi o primeiro filme totalmente a cores produzido na Itália, totalmente restaurado pelo Centro Experimental de Cinematografia italiano.[20] Foram produzidos documentários catequéticos e filmes bíblicos como O Filho do Homem, A Bíblia, Os Patriarcas, Jacó: o homem que lutou com Deus, Os grandes guias, Saul e Davi, Gedeão e Sansão.

Para oferecer diversão sadia, especialmente na Itália, a São Paulo Filmes comprou e pôs em circulação 400 filmes, distribuídos através de 35 agências e 45 subagências próprias, que serviam a cerca de 3.000 salas cinematográficas.

A partir de 1958, padre Alberione quis desenvolver novo setor de apostolado por meio da produção de discos e audiovisuais.

Ao terminar a primeira visita às comunidades paulinas do Brasil, em 1946, padre Alberione deixou escritas algumas orientações. Numa delas, destaca a urgência de iniciar o apostolado de um jornal diário e do rádio: “A iniciativa do jornal quotidiano ou do rádio (ou de ambos) é considerada como tempestiva e da máxima importância para o Brasil”.

Na realidade, tal apostolado ou ação pastoral por meio do rádio só teve início anos depois, graças a seu apoio também econômico: Rádio Cultura da Bahia (1966) e Rádio Bahia (1967), na Bahia; Rádio América, na cidade de São Paulo (1967); Rádio Vera Cruz, no Rio de Janeiro (1967); Rádio 9 de Julho, em São Paulo (1968); Rádio Olinda, em Pernambuco (1971); Rádio Carioca, no Rio de Janeiro (1981). Em 2000, teve início a Rede PAULUS SAT, com 51 emissoras afiliadas em todo o Brasil.

Como o apóstolo Paulo, Alberione queria chegar aos confins da Terra como comunicador do Evangelho. E de fato, por várias vezes, visitou as comunidades paulinas no mundo inteiro.

Nos inícios do último decênio de sua vida, padre Alberione presenciou e seguiu atentamente os trabalhos do Concílio Vaticano II.[21] Suas propostas à Comissão pré-conciliar foram vinte e quatro. Entre elas: pedido de declaração da mediação universal de Maria; orientação pastoral nos estudos teológicos; renovação litúrgica e catequese; formação do clero secular e religioso; instituição de um dicastério para o uso dos meios de comunicação na evangelização.

Algumas de suas sugestões, passando através do filtro e enriquecimento dos padres conciliares, chegaram até os documentos conciliares. Grande consolação foi para ele o Decreto Inter Mirífica, de 4 de dezembro de 1966. Depois da promulgação, ele publicou na edição italiana de Vida Pastoral um artigo intitulado: “A máxima aprovação do apostolado paulino”. Aí escreve: “O apostolado das edições, o nosso apostolado, foi aprovado, louvado e estabelecido como dever para toda a Igreja: imprensa, cinema, rádio, televisão e similares”.[22]

Momento solene para toda a Família Paulina foi o reconhecimento eclesial da missão do padre Alberione, na audiência do dia 28 de junho de 1969, quando Paulo VI disse:

A Pia Sociedade de São Paulo, com as diversas ramificações e com o volume da sua produção e habilidade da sua irradiação, tornou-se tão grande e vital que constitui um fato notável na vida da Igreja neste século. Ela realizou, ante et post litteram, muitos postulados do Concílio Ecumênico no campo das comunicações sociais. De bom grado brindamos um reconhecimento, elogio e encorajamento. […] Devemos ao vosso fundador, aqui presente, ao caro e venerado padre Alberione, a construção do vosso monumental instituto. Em nome de Cristo, nós lhe agradecemos e o abençoamos. Ei-lo: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, recolhido nos seus pensamentos, que correm da oração à obra (segundo a fórmula tradicional: ora et labora), sempre dedicado a perscrutar os “sinais dos tempos”, isto é, as formas mais geniais para se chegar às almas, o nosso padre Tiago Alberione deu à Igreja novos instrumentos para se comunicar, novos meios para dar vigor e vastidão ao seu apostolado, nova capacidade e nova consciência sobre o valor e a possibilidade da sua missão no mundo moderno e com meios modernos.

Antonio F. da Silva, ssp

Padre paulino; fez mestrado em Teologia, com especialização em Espiritualidade, na Universidade Gregoriana (Roma); pertenceu ao Centro de Espiritualidade da Família Paulina, em Ariccia e Roma, onde por três decênios se dedicou ao estudo dos escritos e da preparação da obra completa do bem-aventurado Tiago Alberione. Por vários anos deu curso sobre o pensamento, a pessoa e o carisma do padre Alberione, no Curso de Formação sobre o Carisma da Família Paulina, em Roma. Foi postulador geral da Família Paulina. E-mail: antfrasilva@gmail.com

[1] AA.VV., Conoscere don Alberione (1884-1907). Strumenti per una biografia, Roma, Centro di Spiritualità Paolina, 1994, p. 321.

[2] A. F. DA SILVA, Ser São Paulo vivente hoje, pro manuscripto, São Paulo, p. 71.

[3] Cf. T. ALBERIONE, Abundantes divitiae gratiae suae, História carismática da Família Paulina, Paulus, 2000 (=AD).

[4] R. ESPOSITO, L’Enciclica Tametsi futura e la notte eucaristica del secolo, San Paolo, 2000.

[5] T. ALBERIONE, A mulher associada ao zelo sacerdotal. Para o clero e para a mulher, Paulus, 2011, p. 249. A sigla oficial do livro é DA, em virtude do título italiano: La donna associata allo zelo sacerdotale. Per il clero e per la donna, Alba, Scuola Tipografica “Piccolo Operaio”, 1915, p. 342.

[6] E. SWOBODA, A cura de almas nas grandes cidades, Estudo de Teologia Pastoral, Roma, Livraria Pontifícia de F. Pustet, 1912, p. 390.

[7] C. KRIEG, Ciência Pastoral, Teologia Pastoral em quatro livros. Versão autorizada a partir da 1ª edição alemã por Antônio Boni. Livro I. Cura especial de almas, Turim, Cav. Pedro Marietti Editor, 1913, p. 652; Livro II. Catequética, ou ciência do catecumenato eclesiástico, idem, 1915, p. 586; Livro III. Homilética, ou ciência da evangelização da Palavra de Deus (livro póstumo), idem, 1920, p. 514. Como se nota, somente três volumes estiveram à disposição de padre Alberione.

[8] C. KRIEG, Enciclopédia científica e metodologia das ciências teológicas, Roma, Livraria Ecl. Editora Cav. Ernesto Coletti, 1913, p. 392.

[9] C. KRIEG, Enciclopédia Científica…, p. 326–327.

[10] Cf. A. F. DA SILVA, “Cristo Caminho, Verdade e Vida, centro da vida, da obra e do pensamento de Padre Tiago Alberione”, em AA.VV., A herança cristocêntrica de padre Alberione, Cinisello Balsamo (Milão), San Paolo, 1989, p. 250.

[11] AA.VV, Dare al mondo Gesù Cristo Via e Verità e Vita, Progetto unitario di Famiglia Paolina, Roma, 19 de março de 2001, p. 232.

[12] AA.VV., Donne e uomini oggi al servizio del vangelo, Roma, Edizioni Centro Spiritualità Paolina, 1993, p. 358.

[13] G. Alberione, Appunti di Teologia Pastorale, Pratica del ministero sacerdotale per il giovane clero, Turim, P. Marietti, 1915, p. I-X e 1-318 (= ATP). Cf. T. Alberione, Anotações de Teologia Pastoral, São Paulo, Paulus, 2012.

[14] G. Borgna, Il Re dei tempi. Mano alla Stampa, Asti, Premiata Scuola Tipografica Michelerio, 1914.

[15] Cf. Unione Cooperatori Buona Stampa, anno IX, n. 8, 20de Agosto de 1926, p. 3.

[16] G. Alberione, Apostolato stampa, Alba, Pia Società San Paolo, 1933, p. 170.

[17] R. Esposito, La teologia della pubblicistica secondo l’insegnamento di G. Alberione, Roma, Edizioni Paoline, 1972, p. 224.

[18] G. Alberione, L’apostolato dell’edizione, Manuale direttivo di formazione e di apostolato, Alba, Tip. Pia Società delle Figlie di San Paolo, 1944, p. 487.

[19] San Paolo, n. 6, 15 dicembre 1934.

[20] AA.VV., Mater Dei, storia e rinascita del primo film italiano a colori, Roma, Fondazione Centro Sperimentale di Cinematografia, 2005, p. 176.

[21] A. Damino, Don Alberione al Concilio Vaticano II, Proposte, Interventi e “Appunti”, Roma 1994, p. 240.

[22] Cf. G. Alberione, Vita Pastorale, janeiro de 1964, p. 1ss.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Memória do bem-aventurado Tiago Alberione

No dia 27 de abril de 2003 o papa João Paulo II declarou o Padre Tiago Alberione Bem-aventurado!
No dia 26 de novembro a Família Paulina celebra o bem-aventurado Tiago Alberione.
Padre Tiago Alberione, Fundador da Família Paulina, foi um dos mais carismáticos apóstolos do século XX. Nasceu em San Lorenzo di Fossano (Cuneo, Itália), no dia 4 de abril de 1884. Recebeu o batismo já no dia  seguinte. A família Alberione, constituída por Miguel e Teresa Allocco e por seis filhos, era do meio rural, profundamente cristã e trabalhadora.

O pequeno Tiago,  quarto filho, desde cedo passa pela experiência do chamado de Deus: na primeira série do ensino primário, quando a professora Rosa perguntou o que seria quando se tornasse adulto, ele respondeu: Vou tornar-me padre! Os anos da infância se encaminham nessa direção. Cresceu, tornou-se padre e sentiu-se chamado a uma nova missão na Igreja: "Comunicar a todos Jesus Mestre, com todos os meios que o progresso humano viesse a desenvolver". Foi assim que ele fundou a Família Paulina.

No dia 26 de novembro de 1971 deixou a terra para assumir o seu lugar na Casa do Pai. As suas últimas horas tiveram o conforto da visita e da bênção do papa Paulo VI, que jamais ocultou a sua admiração e veneração pelo Padre Alberione. Foi comovente o testemunho que deu na Audiência concedida à Família Paulina em 28 de junho de 1969 (o Fundador tinha 85 anos). Disse o papa Paulo VI:
«Aí está ele: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, sempre entretido com os seus pensamentos, que se mobilizam entre a oração e a ação, sempre atento para perscrutar os "sinais dos tempos".

Em 25 de junho de 1996 o papa João Paulo II assinou o Decreto por meio do qual eram reconhecidas as virtudes heróicas de Alberione.

Foi beatificado por João Paulo II, no dia 27 de Abril de 2003, na Praça de S. Pedro, em Roma.

Para pedir sua intercessão
Oração
Senhor, glorificai na vossa Igreja o bem-aventurado Tiago Alberione.
Que ele seja para nós exemplo e intercessor no caminho
de nossa santificação e de nosso apostolado.
Ajudai-nos em nosso trabalho de evangelização,
a fim de que a presença de Jesus Mestre,
se irradie no mundo por meio de Maria, Mãe e Rainha dos Apóstolos.
Concedei-me a graças que agora vos peço... 
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

sábado, 2 de agosto de 2014

Santos do tempo do Pe. Alberione

José Benedito Cottolengo, 1842;
Antônio Maria Gianelli, 1846;
Vicente Pallotti, 1850;
João Mazzucconi, 1855;
Carlos Steeb, 1856;


Domingos Savio, 1857;
João Maria Vianney, o Cura d’Ars, 1859;
José Cafasso,
João Nepomuceno Neumann,
Justino de Jacobis, 1860;
Carlos G. Eugênio Mazenod, 1861;
Gabriel dell’Addolorata, 1862;
Jacques D. Laval, 1864;
Madalena Sofia Barat, Adolfo Kolping, 1865;
Francisco Maria da Camporosso, Maria De Mattias, 1866;



Pedro Julião Eymard, 1868;
Antônio Maria Claret, 1870;
Francisco Coll, 1875;
Catarina Labouré, Frederico Albert,1876; 










Bernardete Soubirous, Joana Jugan, 1879;
Maria Domingos Mazzarello, 1881;
Paula Frassinetti,1882;
Luis Scrosoppi, 1884 (3 de abril, o dia anterior
ao nascimento de Pe. Alberione).

Carlos Lwanga e Mártires de Uganda, 1886;
Pedro Donders, 1887;

João Bosco, Tiago Cusmano, 1888;
Maria Anna Sala, 1891;
Antonio Maria Pucci, 1892;
Salvador Lilli, 1895;
Henrique de Ossó y Cervelló,1896;




Teresa do Menino Jesus, Andrea Besette, 1897;
Leonardo Murialdo, 1900;



Maria Goretti, 1902;
Gema  Galgani, Clemente Marchisio, 1903;
Arnold Janssen,1909;
Miguel Rua, Francisco Febres Cordero, 1910;
Maria Leonia Paradis, 1912;
S. Pio X, 1914;







Luís Guanella, Plácido Riccardi, 1915;
Francisca Xavier Cabrini, 1932;
Maria Gabriela Sagheddu, 1938;
Úrsula Ledochowska, 1939;


Luis Orione, 1940;


Maximiliano Kolbe, 1941;
Leopoldo Mandic (1942).

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Aniversário da Família Paulina

Hoje, 20 de agosto, a Família Paulina comemora 99 anos de Fundação.
O que pensava o bem-aventurado Alberione sobre esta Obra de Deus?
Pe. Alberione manifesta com força a convicção de estar comprometido com uma obra de Deus:
“Resulta, portanto: que a Pia Sociedade de São Paulo possui uma visível proteção do Senhor; por Ele foi querida, por Ele guiada, por Ele conduzida ao estado atual. Nela  há iniciativas de bem verdadeiramente úteis e de caráter estável; os membros têm vivíssimo desejo de promover só e por toda a vida a glória de Deus, com a santificação própria (também por meio dos votos e da vida comum) e a salvação das almas; este desejo habita dentro deles desde muito tempo e provou-se eficaz por um tirocínio de vários anos”. (G. Rocca, La formazione..., Documento n. 31, o. c., p. 570).

Em 2014, a Família Paulina completa 100 anos de presença na Igreja. Daqui a 1 ano.
Por ocasião do quadragésimo ano de fundação, o Bem-aventurado Tiago Alberione, fundador da Família Paulina, afirmou:
“Dia 20 de agosto de 1914, uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento e a bênção da minúscula tipografia, iniciava-se a Família Paulina…”, com a fundação Padres e Irmãos Paulinos.
A esta se seguiu a fundação de quatro Congregações femininas com finalidades próprias, diversas e independentes uma da outra:
Irmãs Paulinas;
Irmãs Discípulas do Divino Mestre;
Irmãs Pastorinhas;
Irmãs Apostolinas.

Fundou também os Institutos:
Santa Família (para casais);
São Gabriel Arcanjo (Gabrielinos, para homens);
Jesus Sacerdote (para padres diocesanos e bispos diocesanos);
Nossa Senhora da Anunciação (Anunciatinas, para mulheres).

Todos unidos entre si pelo mesmo ideal de santidade e apostolado: levar Jesus Cristo a todas as pessoas através das várias formas de comunicação social. Organizou, também, leigos e leigas para que estivessem estreitamente ligados à missão e à espiritualidade de suas fundações e, assim, nasce a
União dos Cooperadores Paulinos.



"Tudo nos vem de Deus! Tudo nos leva ao Magnificat",
dizia Alberione.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Celebrando o bem-aventurado Tiago Alberione

 26 de novembro
às 18h,
na Paróquia santo Inácio de Loyola,
 Vila Mariana, em São Paulo
Preside a celebração eucarística: Pe. Antonio Francisco da Silva, ssp

Na noite da passagem do século, 31 de dezembro de 1900 para 1o de janeiro de 1901, o jovem seminarista permanece quatro horas em oração na catedral de Alba (Itália). Uma luz vem do Tabernáculo e o envolve.
- "Fazer alguma coisa por Deus e pelas pessoas do novo século, com as quais conviveria!" Sente fortemente o convite e o apelo de Deus.

O mundo passava por profundas mudanças sociais e tecnológicas, era necessário utilizar as novas descobertas, as novas forças do progresso para fazer o bem, para evangelizar.

O jovem seminarista, com apenas dezesseis anos, era Tiago Alberione, futuro fundador da Família Paulina, que nunca deixou que essa chama luminosa se apagasse em sua vida.
Alberione nasceu em 4 de abril de 1884, em São Lourenço de Fossano, norte da Itália, de uma família de camponeses simples e laboriosos. Vinte quatro horas após o nascimento, foi batizado e recebeu o nome de "Tiago".

Buscando melhores terras para a lavoura, a família Alberione mudou para a cidade de Cherasco, onde Tiago passou sua infância e adolescência. Foi lá que se manifestou a vocação para o sacerdócio.

- Quero ser padre! foi a resposta que deu à professora, Rosina Cardona, que perguntava aos seus oitenta alunos o que queriam ser quando crescessem.

A resposta, que poderia parecer impensada, veio de um menino de bom coração e piedoso. Com o passar do tempo, a vocação fortificou-se e ele foi encaminhado para o seminário, onde não perdia tempo e procurava aprender de todos e de tudo. Inquietavam Alberione as transformações que aconteciam na sociedade e os apelos do papa, Leão XIII, para que todos se voltassem para Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, salvação da humanidade.

Foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1907, com vinte e três anos de idade. Todas as organizações de renovação existentes, então, na Igreja foram acolhidas por padre Alberione, que participou, ativamente, dos movimentos: missionário, litúrgico, pastoral, social, bíblico, teológico e, mais tarde, do movimento ecumênico. Em todos os movimentos Alberione-profeta vislumbrava espaços carentes de evangelização e atualização.

Impulsionado pelo Espírito Santo, tornou realidade sua intuição carismática com a fundação de várias congregações e institutos para, juntos, como Família Paulina, anunciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, com os meios da comunicação social. Padres e irmãos Paulinos em 1914; Irmãs Paulinas em 1915; Discípulas do Divino Mestre em 1924; Irmãs Pastorinhas em 1938; e Irmãs Apostolinas em 1957. Fundou, também, os institutos seculares de Nossa Senhora da Anunciação e São Gabriel Arcanjo em 1958; os institutos Jesus Sacerdote e Sagrada Família em 1959; além da Associação dos Cooperadores Leigos em 1917. Hoje, os membros dessas fundações estão presentes em todos os continentes mostrando que é possível santificar-se e comunicar, a todas as pessoas, Jesus Cristo com os meios técnicos e eletrônicos.

Após a fundação dos dois primeiros ramos - Paulinos e Paulinas - a vida de Alberione fundiu-se com suas obras nascentes. Acompanhava de perto a vida de seus filhos e filhas da Itália e do exterior com numerosas e prolongadas viagens.

Preocupava-se não só com fundações e organizações, mas principalmente com a formação e a vida religiosa de seus seguidores, apesar do conturbado contexto histórico em que viveu: duas grandes guerras, revolução industrial, conflagrações nacionalistas e sociais, emancipação dos operários e da mulher, além de crises institucionais na família e na Igreja.

Padre Tiago Alberione, jamais esmoreceu, continuou firme na sua fé, acreditando que a obra que realizava era querida e abençoada por Deus. Com humildade e coragem, o fundador da Família Paulina, o profeta e o apóstolo de uma evangelização moderna chegou ao fim de seus dias em 26 de novembro de 1971, aos oitenta e sete anos.
O reconhecimento da santidade de Alberione já acontecera antes da declaração oficial da Igreja, especialmente com algumas declarações de dois papas seus amigos: o bem-aventurado João XXIII e Paulo VI. "Padre Alberione, veio ao meu encontro" - dizia o "papa bom". "Parecia-me ver a humildade personificada. Ele, sim, é um grande homem!"

E Paulo VI, na audiência concedida aos Paulinos em 27 de novembro de 1974, recordava: "Lembro-me do encontro edificante com padre Alberione, ajoelhado, em profunda humildade. Este é um homem, direi, que está entre as maravilhas do nosso século".

O processo de beatificação percorreu um longo caminho. Após a morte de Alberione, foram apresentados à Igreja documentos sobre sua vida, sua missão apostólica e suas fundações, assim como documentos sobre sua santidade.
Baseados em um meticuloso exame desses elementos e reconhecidas as virtudes praticadas em grau heróico pelo servo de Deus, padre Tiago Alberione, o papa João
Paulo II, em 25 de junho de 1996, declarou-o "venerável".
Passaram-se sete anos à espera de um milagre que fosse reconhecido como autêntico pela Igreja. E o milagre chegou.

A cura milagrosa atribuída ao padre Tiago Alberione, que o conduziu à beatificação, salvou Maria Librada Gonzáles Rodriguez, uma mexicana de Guadalajara. Em 1989, ela foi internada por causa de uma insuficiência respiratória provocada por uma tromboembolia pulmonar, com muitas crises. Pedindo a Deus a cura por intercessão de padre Alberione, doze dias depois teve alta. A cura foi reconhecida pela Congregação das Causas dos Santos, após a declaração da comissão médica que considerava a recuperação de Maria rápida, completa, duradoura e não-explicável à luz da ciência.

E o dia da beatificação chegou: 27 de abril de 2003. Padre Tiago Alberione é proclamado "bem-aventurado" num reconhecimento oficial da Igreja àquele homem que foi um santo, um profeta e o pioneiro na evangelização eletrônica.

Festa litúrgica do bem-aventurado Tiago Alberione
A intuição de Alberione era "viver e dar ao mundo Jesus Cristo, Verdade, Caminho e Vida". Para isto usar todos os meios mais rápidos e eficazes que o progresso humano oferece para a comunicação entre as pessoas. Em vista desta missão, fundou a «Família Paulina», composta por cinco Congregações religiosas, quatro Institutos agregados e uma Associação de leigos.

Terminou a sua existência terrena no dia 26 de Novembro de 1971, depois de ter recebido a visita do Papa Paulo VI.
Foi proclamado bem-aventurado no dia 27 de abril de 2003, pelo papa João Paulo II.

"Tudo nos vem de Deus. Tudo nos leva ao Magnificat"
 dizia Alberione