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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Padre Alberione: traços de uma vida e um carisma - nasce a Família Paulina (19)

O lugar de Deus
Após muita oração e espera, encontra-se finalmente o terreno para a nova sede. Disse Alberione: “Rezamos por uma casa. S. Paulo concedeu-nos a graça no dia da sua conversão: ele nos mandou um terreno verdadeiramente bem situado."

Boa Imprensa
Pe. Alberione entrega a Pe. Giaccardo a direção da Gazzetta d’Alba. A partir deste ano deixa também os compromissos no Seminário; e, por ocasião do pedido de ingresso de alguns Clérigos, escreve ao Bispo, sobre o sentido da Escola Tipográfica:
“Os membros desta família, como já escrevi outras vezes, vinculam-se a esta missão, consagrando-se ao Senhor por meio de votos especiais: alguns deles realizam também os estudos sacros, com a intenção de se tornar escritores e sacerdotes. Tem-se a persuasão de que a Boa Imprensa seja parte importantíssima da função sacerdotal”.

Nova sede
Também no que se refere à reconstrução da nova sede deve-se constatar como Pe. Alberione tinha projetos bem amadurecidos na reflexão e na oração. Diz-se, aliás, que recebera uma luz particular sobre como configurar todo o conjunto dos edifícios.
Um dos primeiros jovens atesta que, em novembro de 1919, o fundador um dia lhe disse de repente: ‘Coragem, no próximo ano teremos uma grande tipografia e uma bela casa, e depois uma bela igreja que dedicaremos a S. Paulo. Mas nós não pararemos em Alba’.
E muitos anos mais tarde, durante uma exortação aos seus jovens, o fundador confidenciou que, enquanto
examinava pela primeira vez o terreno sobre o qual surgem agora as casas e a igreja de S. Paulo, teve um momento de turbamento misterioso, durante o qual tinha visto, de modo claríssimo, todo o conjunto de edifícios.  É preciso admirar a providência divina: três lugares que pareciam convenientes, na véspera de concluir o negócio se frustravam as tratativas de contrato; este, não previsto e que não se esperava conseguir comprá-lo, conseguimos.

É, portanto, o lugar de Deus: a oração para que tudo se realize está aos pés de Jesus no S. Tabernáculo, assinada por todos os componentes da Sociedade de S. Paulo. Pensa-se nos meios para pagar as 350.000 liras de débito.
Primeiro: fé e oração;
segundo: santidade e trabalho diligente para a Boa Imprensa;
terceiro: cada um faça bem a sua parte para que ganhemos com o trabalho ao menos a alimentação. (G. T. Giaccardo, Diário..., 10 de fevereiro de 1920, o. c., p. 288).
Fonte: DFin 89-90

domingo, 17 de abril de 2011

Padre Alberione: traços de uma vida e um carisma (11)

Após a ordenação sacerdotal, recebida no dia 29 de junho de 1907, o jovem sacerdote Tiago Alberione manifesta o seu dinamismo, especialmente quando, de volta como vigário paroquial de São Bernardo Abade, em Narzole, Itália,  assume o cargo de Diretor Espiritual no Seminário de Alba.

Bibliotecário, professor de Liturgia, cerimoniário
No trabalho como Bibliotecário, procura atualizar a Biblioteca; assume com seriedade o ensino da Liturgia e
declara: Nomeado depois mestre de cerimônias, sacristão no seminário, cerimoniário do Bispo, com o encargo de preparar o livro das cerimônias, sentiu sempre mais o gosto de rezar a oração da Igreja e com a Igreja” (ADds 72).

Espírito Social
Dedica-se com particular esmero a todas as iniciativas relacionadas com o espírito social: “A Providência dispôs, para isso, uma longa preparação. O trabalho feito para a Universidade Católica de Milão (1905-1906) a fim de angariar fundos para o Comitê promotor da sua fundação. Cursos de conferências sociais, estudos sociais nos anos de Teologia e sucessivos, os congressos de índole social dos quais teve de participar por disposição dos superiores, a cooperação com organizações e obras sociais, as relações com homens da Ação Católica, entre os quais o Cardeal Maffi, o professor Toniolo, o Conde Paganuzzi, o Contador Rezzara” (ADds 58-59).
Ponto Focal - Vocação especial
Em cada coisa, porém, Alberione tinha um ponto focal que não o abandonava desde a noite do início do século, isto é, a sua vocação especial. Esta não era a de se tornar nem cura e nem pároco, como confiou a um seu amigo: “Faz-me sorrir a idéia de recolher os jovens ao meu redor; ...tantos jovens como Dom Bosco, para encaminhá-los ao apostolado”.
Fonte: Dfin 36-37

domingo, 30 de janeiro de 2011

Padre Alberione: traços de uma vida e um carisma (8)

Tiago Alberione poderia ter passado para o Seminário de Turim.
Escolheu, ao invés, permanecer no de Alba pelo espírito de família que levava à participação, pelo enfoque do estudo, em sintonia com o progresso das ciências e as necessidades dos tempos, e pela espiritualidade, encarnada num forte espírito pastoral, social e litúrgico. No mesmo período em que Alberione freqüentava o Curso de Teologia, foi construída a nova capela do Seminário. A sua decoração constitui uma síntese perfeita da formação de Alberione.

Tudo parte da Trindade, que revela o plano de salvação na vinda do Filho e no dom do Espírito; daqui derivam: o papel de Maria na Encarnação; a Eucaristia como centro da vida cristã; o Evangelho, apresentado conforme o símbolo dos quatro evangelistas, de modo que resulta o nome da cidade de A-L-B-A:

As bem-aventuranças e a via-sacra como expressões da vida cristã,
a liturgia como sacrificium laudis; o ministério do bispo a serviço do Reino de Deus; as figuras de Maria e da Igreja; os santos sobre cujas pegadas caminha o povo de Deus, especialmente os seminaristas; e o nicho, atrás do retábulo móvel, para cultivar as devoções especiais.
Os santos figurados apresentam os valores fundamentais da formação dos futuros sacerdotes. Em primeiro lugar, os padroeiros do Seminário: Maria, como Mãe do Bom Conselho, pela sua plena adesão à vontade de Deus; Carlos Borromeu, pelo seu zelo pastoral; Francisco de Sales, pela sua mansidão e direção espiritual; Felipe Néri, pela sua alegria e humor. Depois, dois doutores: Afonso de Ligório, pela teologia moral; Tomás de Aquino, pela teologia dogmática; e duas testemunhas: Lourenço, mártir e padroeiro da diocese, e Luiz Gonzaga, pela pureza e pelo serviço até ao heroísmo. Enfim, nos medalhões, dois exemplos para a juventude: Estanislau Kostka e João Berchmans.  
 Aproximando-se da ordenação sacerdotal, Tiago Alberione tinha consciência de estar radicado na Tradição da Igreja, adquirindo um profundo conhecimento da vida espiritual.

Em 1933, Pe. Alberione propõe um elenco de santos para serem imitados na formação: “Fixemos nosso olhar sobre Sacerdotes Santos. 1. S. Gregório Magno – Pastoral. 2. S. Bernardo. 3. S. Francisco de Sales – Ascética.4. S. Afonso de Lig. – Moral. 5. S. Boaventura – Mística. 6. Tomás de Aq. – Filosofia. 7. S. Agostinho – Teologia” (LV01, p. 163).
 Na formação sacerdotal do jovem Alberione, exerceu uma importante influência o pontificado de Pio X e o seu programa traçado na encíclica E Supremi Apostolatus:
“Do mesmo modo, visto que foi do agrado da vontade divina elevar a Nossa baixeza a tanta sublimidade de poder, nós tomamos coragem Aquele que nos conforta; e colocando-Nos à obra, apoiados na virtude de Deus, proclamamos de não haver, no Supremo Pontificado, outro  programa, se não precisamente este de ‘restaurar todas as coisas em Cristo’ (Ef 1,10), de modo que seja ‘Cristo em tudo e em todos’ (Cl 3,11). [...] Os interesses de Deus serão os Nossos interesses; pelos quais estamos decididos a consumir todas as Nossas forças e até mesmo a vida. Pelo que, se alguém Nos pede uma palavra de ordem, que seja expressão da Nossa vontade, esta sempre daremos, e não outra: ‘Restaurar todas as coisas em Cristo’ [...] Se não que, Veneráveis Irmãos, este apelo dos homens à majestade e ao império de Deus, quanto por nos esforcemos, jamais será obtido senão por meio de Jesus Cristo. ‘Ninguém, assim adverte o Apóstolo, pode colocar outro fundamento além do que foi posto: Jesus Cristo’ (1Cor 3,11). Cristo  o único ‘que o Pai santificou e enviou a este mundo’ (Jo 10,36), esplendor do Pai e imagem da sua substância (Hb 1,3), Deus verdadeiro e verdadeiro homem; sem o qual ninguém pode conhecer verdadeiramente a Deus, como é necessário para a salvação, dado que ‘ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar’ (Mt 11,27). Por conseqüência, instaurar todas as coisas em Cristo e reconduzir os homens à submissão a Deus é um mesmo e idêntico objetivo. Aqui, portanto, se faz mister orientar os nossos cuidados para reconduzir o gênero humano sob ao império de Cristo; somente assim, o reconduziremos também a Deus.
A vós, ó Veneráveis Irmãos, compete sustentar as Nossas iniciativas com a santidade, com a ciência, com a vossa experiência e, sobretudo, com o zelo pela glória divina; não tendo outro objetivo a não ser que Cristo seja formado em cada pessoa.
Depois, quais meios seja necessário usar para alcançar tão grande objetivo, parece supérfluo indicá-lo, já que são óbvios por si mesmos. Os vossos primeiros cuidados sejam os de formar Cristo naqueles que, por dever de vocação, são destinados a formá-lo nos outros. Referimo-nos aos sacerdotes, ó Veneráveis Irmãos. Pois que todos aqueles que receberam as insígnias do sacerdócio devem saber que, no meio do povo com o qual vivem, eles têm aquela mesma missão que Paulo atestava ter recebido, com aquelas ternas palavras: ‘Meus filhinhos, por quem eu sofro de novo as dores do parto, até que Cristo seja formado em vós’ (Gl 4,19). Ora, como poderão eles cumprir tal dever, se antes eles mesmos não se tenham revestido de Cristo? E revestidos de modo tal que possam dizer com o Apóstolo: ‘Eu vivo, já não mais eu, mas é Cristo que vive em mim’ (Gl 2,20). ‘Para mim, o viver é Cristo’ (Fl 1,21). Por isso, se bem que a todos seja dirigida a exortação de encaminhar-se para o homem perfeito, na medida da idade da plenitude de Cristo (Ef 4,13), é dirigida, antes que a qualquer outro, àqueles que exercem o ministério sacerdotal, os quais, por isso, são chamados outro Cristo, já não somente pela comunicação do poder, mas também pela imitação das obras,
pelas quais devem expressar em si mesmos a imagem de Cristo. [...] Pois não é verdade que os progressos da ciência extinguem a fé, mas
sim a ignorância; daqui advém que onde domina mais a ignorância, a incredulidade produz maior ruína. E esta é a razão pela qual Cristo ordenou aos Apóstolos: ‘Ide, ensinai a todos os povos’ (Mt 28,19). Porém, para que deste apostolado e zelo de ensinamento se recolha
o fruto esperado e em todos se forme Cristo, lembre-se bem cada um, ó Veneráveis Irmãos, que nada é mais eficaz do que a caridade. Porque o Senhor não se encontra no terremoto (1Rs 19,11). Em vão se espera atrair as almas para Deus com um zelo amargo, pois o censurar duramente os erros, o repreender com aspereza os vícios, freqüentemente resultam mais danosos que úteis. Exortava, é verdade, o Apóstolo a Timóteo: ‘Adverte, insiste, repreende”; mas acrescentava também: “com toda a paciência’ (2Tm 4,2).
Certamente, tais exemplos Jesus nos deixou: ‘Vinde – assim encontramos ter Ele dito – vinde a mim vós todos que estais enfermos e oprimidos, e eu vos consolarei’ (Mt 11,28)”
(cf. La Civiltà Cattolica, Serie XVIII, Vol. XII, caderno 1280, 7 de outubro 1903, pp. 129-149).
Alberione tinha consciência  de ter cuidado intensamente da própria formação intelectual e de ter procurado entender as necessidades atuais da Igreja e da humanidade.
(Fonte: DFin 31-33).

sábado, 9 de outubro de 2010

Tiago Alberione: traços de uma vida e um carisma (3)

Passaram-se quase dez anos desde quando o pequeno Alberione começara a cultivar a vocação sacerdotal. A luz inicial foi como uma semente fecunda que fizera raízes profundas, tornara-se uma plantinha, bem cuidada, e agora, após a poda, esperava o momento de manifestar toda a sua vitalidade.
Assim a Bonfante [depois diretora da escola em Cherasco] me contou e escreveu. Acrescentava que o pequeno Alberione "era muito feliz, apesar de um pouco acanhado”.
Catedral de Alba
A intervenção de Deus não se fez esperar. Na noite da passagem do século a glória de Deus envolveu-o de luz (cf. Lc 2,9), convidou-o, admitiu-o na sua intimidade, manifestando-lhe o seu amor, por meio do seu Filho presente na Eucaristia:
“Amou-me e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20). Na intimidade daquele “Vinde a mim todos” (Mt 11,28), Alberione sentiu que toda a sua pessoa era envolvida, e teve assim a compreensão de muitas realidades eclesiais e sociais, especialmente das necessidades do tempo e da “verdadeira missão do sacerdote” (ADds 15). Nessa intimidade, o Mestre abriu-lhe a mente e o coração, associando-o a si para uma missão particular: “Pareceu-lhe evidente o que dizia Toniolo sobre o dever de ser os Apóstolos de hoje, usando os meios empregados pelos adversários. Sentiu-se profundamente obrigado a se preparar para fazer algo por Deus e pelos homens do novo século com os quais viveria” (ADds 15).
Após anos de trabalho e sofrimentos apenas superados, essa experiência de luz constituiu a fonte de um novo impulso, alegre e irresistível: “A Eucaristia, o Evangelho, o Papa, o novo século, os novos meios, a doutrina do Conde Paganuzzi sobre a Igreja, a necessidade de uma nova falange de apóstolos se lhe fixaram de tal modo na mente e no coração que, daí por diante, lhe dominaram sempre os pensamentos,
a oração, o trabalho interior, as aspirações. Sentiu-se obrigado a servir à Igreja, aos homens do novo século, e a agir com outras pessoas de forma organizada” (ADds 20).

Fonte: DFin 11ss