quinta-feira, 16 de abril de 2026

Alberione: carisma da comunicação para a Igreja

Por Antonio F. da Silva, ssp

No início do século XX, na Itália, leigos católicos aspiravam a uma renovação evangélica, para que a Igreja voltasse a ser ação e vida, segundo o espírito de Cristo. O movimento futurista, por sua vez, intuía as grandes transformações do mundo, que as invenções modernas iriam causar, consagrando como nova beleza a velocidade. Enquanto isso, o jovem Tiago Alberione se preparava para um sacerdócio diferente, por meio do estudo da reflexão e da experiência pastoral. Queria promover o exercício de uma pastoral atualizada, feita por homens e mulheres, capazes de pôr as invenções modernas a serviço do Evangelho. Anos mais tarde, quando as instituições da Família Paulina já estavam consolidadas, Paulo VI reconheceu: “O nosso padre Tiago Alberione deu à Igreja novos instrumentos para se comunicar, novos meios para dar vigor e vastidão ao seu apostolado, nova capacidade e nova consciência do valor e da possibilidade da sua missão no mundo moderno e com meios modernos”.

A vida do bem-aventurado Tiago Alberione transcorreu entre 1884 e 1971. Teve como berço natal a região do Piemonte, na Itália, e como raiz eclesial a diocese de Alba. Na paróquia de São Martinho, em Cherasco, e nos seminários de Bra e Alba, recebeu a típica formação eclesiástica da época, feita de assimilação dos valores da tradição e, ao mesmo tempo, não isenta de fechamento às tendências da atualidade.


1. Postulados carismáticos de padre Alberione

Ao concluir a formação seminarística e ser ordenado sacerdote, em 1907,[1] Tiago Alberione surpreende pela abertura ao tempo presente, polarizada em algumas escolhas que constituem verdadeiros postulados carismáticos de sua missão.

1.1. O postulado da modernidade

No memorial do itinerário da fundação da Pia Sociedade de São Paulo, de 1914 até 1949, ano da aprovação pontifícia definitiva, padre Tiago Alberione podia afirmar ponderadamente: “O Instituto […] segue os tempos, inspira-se em uma sã modernidade”.[2] Essa afirmação teria sido problemática se enunciada nos primeiros tempos da fundação. De fato, Tiago Alberione se formou e iniciou sua obra em meio ao conflito entre a Igreja e a sociedade moderna.

Não se conhece o movente pelo qual o progresso das ciências e as possibilidades oferecidas pelas novas invenções encontraram no jovem Alberione uma sintonia inata.

 1.2. O postulado da atualidade pastoral

Em seus memoriais, Alberione descreve como se encontrou em meio ao fogo cruzado de duas correntes opostas do clero: “Uma parte ainda parada nos antigos métodos de vida e pastoral; a outra, convencida da necessidade de sistemas, organizações e iniciativas pastorais atualizadas”[3] (AD 49).

Ao término da formação, Tiago Alberione se sente chamado a realizar o sacerdócio ministerial, usando os meios mais aptos, oferecidos pela modernidade, para responder às necessidades pastorais da atualidade.

O postulado paulino

Leão XIII, por ocasião da passagem entre o século XIX e o século XX, publicou a Encíclica sobre Jesus Cristo Redentor, conhecida pelas palavras iniciais como Tametsi futura.[4] Alberione declara ter assumido esse documento como herança sagrada.

O papa inicia a encíclica analisando a situação no final de século XIX à luz do primeiro capítulo da Carta de São Paulo aos Romanos. Propõe como tarefa para a Igreja do século XX a missão de “reunir todas as coisas em Cristo Caminho, Verdade e Vida” (cf. Ef 1,10; Jo 14,6).

Na noite de 31 de dezembro de 1900, durante a solene adoração eucarística na catedral de Alba, foi lida também a Tametsi futura. O jovem Alberione sentiu dirigidas a si as palavras de Jesus no Evangelho: “Venham a mim, todos vocês que andam cansados e curvados pelo peso do fardo, e eu lhes darei descanso” (Mt 11,28). Sentiu também que Deus estaria chamando muitos outros para trabalhar com ele na missão de evangelizar, usando as modernas invenções da comunicação.

É interessante notar como o estudo e a meditação levaram Alberione a entrever que a melhor interpretação da Tametsi futura apresenta Cristo através da personalidade e das cartas de São Paulo. Este mostra Jesus “como doutor, hóstia e sacerdote; apresenta-nos o Cristo total, como ele mesmo já se definira: Caminho, Verdade e Vida” (cf. AD 159-160).

1.4. O postulado da ação pastoral da mulher


Sensível às necessidades do momento, Alberione orientou-se decididamente a valorizar a importância da mulher na ação pastoral: “O nosso é o século XX; nele, nos toca viver e agir. […] Sejamos de nosso tempo, e façamos com que a mulher seja de nosso tempo”.[5]

2. Alberione e dois grandes mestres de pastoral

Alberione escreveu que, naquela noite de adoração eucarística, “sentiu-se profundamente obrigado a preparar-se para fazer algo pelo Senhor e pelos homens do novo século com os quais viveria” (AD 15).

Foi providencial, para o longo trabalho de preparação de Alberione, começado em 1900, encontrar um válido instrumento de síntese na obra de dois mestres de pastoral: “Quanto ao caráter pastoral no apostolado paulino, tomou muito de dois grandes mestres: Swoboda, Cura de almas nas grandes cidades;[6] e Krieg, Teologia Pastoral, 4 volumes, que leu e releu durante dois anos”.[7]

Fundamental para Alberione, a obra de Swoboda veio ao encontro desse postulado da atualidade pastoral. Trata-se, de fato, não apenas de esplêndido exemplo de aplicação da Sociologia à Pastoral, mas também de um estudo de Teologia Pastoral animado por grande competência e zelo apostólico.

As obras de Cornélio Krieg tiveram como referência o conceito de enciclopédia,[8] caro a padre Alberione e ao cônego Francisco Chiesa. Querem apresentar toda a pastoral unificada segundo as três funções salvíficas de Cristo, consideradas à luz de Cristo Caminho, Verdade e Vida.[9]

O ensinamento de Krieg marcou profundamente a personalidade e toda a obra de Alberione, até mesmo em relação ao projeto da Família Paulina.[10]

3. A Família Paulina[11] – homens e mulheres para a comunicação pastoral[12]

Conhecido como “senhor teólogo”, Alberione, além do ministério de diretor espiritual do Seminário de Alba, assume o ensino de Teologia Pastoral, que lhe dá a ocasião de publicar duas obras programáticas, que contêm os frutos de sua preparação para as futuras fundações.

3.1. Anotações de Teologia Pastoral

A edição de 1912 de Anotações de Teologia Pastoral (= ATP) foi publicada principalmente como apostila para as aulas de pastoral. Depois de ser atentamente melhorada, veio à luz pelo editor pontifício Pietro Marietti, em 1915.[13]

Trata-se de manual prático para ajudar os jovens sacerdotes a assumir o trabalho pastoral nas paróquias, indicando outros autores para uma visão mais teórica.

O livro contém três partes, articuladas como fundamento, aplicação e atuação.

Na primeira parte, “Os fundamentos do zelo”, padre Alberione põe como base da ação pastoral a formação da personalidade do pastor ou apóstolo, que deve ter como programa de vida a tríplice referência: Eu – Deus – Povo (p. 1).

A este tríplice fundamento corresponde uma tríplice referência, ou seja, ciência – santidade – apostolado: “O sacerdote, portanto, não é simples sábio; não é também um simples santo; mas é um sábio-santo, que se serve da ciência e da santidade para se tornar apóstolo, isto é, para salvar as almas” (p. 2).

Colocado o fundamento do zelo na primeira parte de ATP, padre Alberione passa a aplicar as aquisições aí obtidas para descrever a ação pastoral nos quatro preciosos capítulos da segunda parte: “Sobre a cura pastoral e seus meios gerais”. Alberione serve-se da definição dada por Swoboda, que identifica a ação pastoral com o mesmo ministério de Jesus Cristo: “O que é. – É a ação de Jesus Cristo e da sua Igreja, exercida pelo sacerdócio para a salvação das almas” (p. 81).

Posto em evidência o “que” da ação pastoral, identificando-a com ação de Cristo, e apontados os primeiros princípios que dela decorrem, padre Alberione dá as indicações para que a ação da Igreja, através da comunidade sacerdotal, possa atualizar o tríplice ministério de Cristo. Para o presente trabalho, merece atenção especial a exortação sobre a importância de dar endereço moderno às obras:

O mundo caminha, a despeito dos laudatores temporis anteacti [saudosistas] […] e o sacerdote que assume uma posição contrária a essas boas novidades perderia a estima e o afeto do povo, sobretudo do grupo culto. […] Nossa obrigação é conduzir as almas ao paraíso, não aquelas que viveram há dez séculos, mas aquelas que vivem hoje. É necessário que o mundo e os homens sejam assumidos como são hoje, para fazer o bem hoje (p. 91).

Nos nove capítulos que compõem a terceira parte de ATP, “Sobre algumas particulares próprias do zelo sacerdotal”, padre Alberione trata dos sacramentos da confissão e da comunhão, da liturgia, da pregação, do catecismo, das devoções, da Ação Católica e suas obras, das vocações religiosas, da organização das festas e da construção das Igrejas.

Pode-se entrever o caráter programático do livro em relação às futuras fundações de padre Alberione, pelo fato de dedicar um dos últimos capítulos às vocações religiosas (p. 354-358).

3.2. A mulher associada ao zelo sacerdotal

O tema do zelo percorre como fio condutor todo o livro ATP. Mas padre Alberione achou importante reservar para outro livro a aplicação do zelo sacerdotal à necessidade de abrir espaço à mulher na ação pastoral. Por esse motivo, atesta que, logo depois da ordenação sacerdotal, começou a redação do livro A mulher associada ao zelo sacerdotal (= DA), publicado em 1915.

As três partes do livro estão em perfeito paralelo com as de ATP. Põe os fundamentos na primeira parte: “A mulher pode e deve tornar-se cooperadora do zelo sacerdotal”. A segunda parte: “Em que obras a mulher, nos dias de hoje, pode colaborar com o zelo sacerdotal”. Expõe o perfil da atuação da mulher na ação pastoral. Merecem destaque aqui as encorajantes considerações de Alberione sobre o que a mulher pode realizar na ação pastoral por meio da imprensa. Terceira parte: “Como pode o sacerdote formar e dirigir a mulher em sua missão”. É um vade-mécum que ajuda os sacerdotes a pôr em prática a atuação da mulher na ação pastoral. É ao mesmo tempo um forte convite: “Formemo-nos para o conveniente cuidado pastoral da mulher, com estudo e com ardente piedade” (p. 223).

Orientado a abrir espaço para a ação pastoral da mulher, como fez em ATP, Alberione termina o presente livro escrevendo sobre as religiosas. Afirma: “Com razão, foram chamadas irmãs do zelo sacerdotal” (p. 331).

3.3. “Escritores, técnicos e propagandistas, porém religiosos e religiosas” (AD 24)

Depois de longa preparação e amadurecimento, padre Tiago Alberione recebeu um convite do bispo como sinal de Deus que indicava o tempo de iniciar a missão de trabalhar com a imprensa e dar início às suas fundações. Em 8 de setembro de 1913, de fato, Dom Francisco Re o convidou para assumir a direção do jornal Gazzetta d’Alba. Imediatamente, ainda em 1913, Alberione deu início também à revista Vida Pastoral.

Em 26 de julho de 1914, comprou as máquinas tipográficas e alugou alguns locais no centro de Alba. Estando convencido, porém, de que as obras de Deus são realizadas por pessoas de Deus, em 20 de agosto reuniu os primeiros jovens, embrião da futura Pia Sociedade de São Paulo.

Em 15 de junho, padre Alberione deu início à Oficina de costura, para as Alunas da Escola Tipográfica, primeiro núcleo da futura Pia Sociedade Filhas de São Paulo. Em 1917, elas abriram a primeira livraria. No fim de 1918, um pequeno grupo dessas jovens entra no vivo do carisma da comunicação, sendo enviadas a Susa, onde prodigiosamente fazem renascer o jornal diocesano La Valsusa.

Os ramos masculino e feminino das primeiras fundações de padre Alberione se desenvolveram rapidamente em número de pessoas e de publicações. Vivia-se um clima de entusiasmo apostólico. Todos estavam convencidos de que responder com publicações à sede popular de ler era tornar-se “São Paulo redivivo”, pois diziam: “Se ele vivesse hoje, seria jornalista”.

Segundo Krieg, na pessoa do sacerdote há três vocações especiais: uma para anunciar, uma para celebrar, uma para catequizar. Padre Alberione quis que essa tríplice função sacerdotal fosse assumida como pastoral de conjunto por sua família religiosa, atribuindo cada “vocação especial” ou função salvífica, não a uma só pessoa, mas a uma inteira congregação. Foi assim que sentiu a exigência de fundar, em 1924, as Pias Discípulas do Divino Mestre, e, em 1938, as Irmãs de Jesus Bom Pastor ou Pastorinhas. Atribuiu a função do Anúncio, expressa no título de Cristo Verdade ou Mestre, principalmente à Sociedade de São Paulo e às Filhas de São Paulo. A função da Liturgia, expressa no título de Cristo Vida ou Sacerdote, especialmente às Pias Discípulas. A função da Catequese, expressa no título de Cristo Caminho ou Pastor, especialmente às Irmãs Pastorinhas (Cf. AD 33-34).

Mais tarde, padre Alberione fundou o Instituto das Irmãs Apostolinas, quatro institutos de vida secular consagrada, e deixou encaminhada a fundação de um instituto para a família. Essas fundações, juntamente com a associação dos cooperadores paulinos, constituem a Família Paulina, chamada a viver e dar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

3.4. Alberione deu à Igreja novos meios para se comunicar

Desde os inícios da fundação, reinava na Família Paulina verdadeiro entusiasmo pelas invenções da modernidade. Exaltava-se a imprensa como “rei dos tempos”.[14] As máquinas tipográficas postas a serviço da evangelização inspiravam aos paulinos a composição de um novo cântico das criaturas: “Estas máquinas maravilhosas se tornam queridas e veneráveis, como é sagrado e venerável o púlpito para o orador sagrado. Como são belas as máquinas destinadas aos evangelizadores do bem!”.

Alberione proclamava a urgência de servir-se dos meios mais céleres para uma nova evangelização: “O mundo precisa de uma nova, longa e profunda evangelização. […] O meio adequado não pode fornecê-lo senão a imprensa, e apóstolos zelosos não os podem dar senão a juventude”.[15]

Os jovens e as jovens se deixavam conquistar por esse ideal, e numerosos entravam a fazer parte da Família Paulina. Padre Alberione sentiu a necessidade de lhes oferecer um vade-mécum formativo. O livro Apostolado da imprensa[16] (1933) traça a ratio formationis do apostolado paulino. Oferece um rico quadro de referência teológico e espiritual, que serve para desenvolver uma ação apostólica com os meios modernos.[17] O texto foi reelaborado e publicado em 1944, com o título O apostolado da edição.[18]

Como síntese do espírito pastoral desses dois manuais, podemos considerar parte do texto publicado no boletim interno sobre o apostolado da imprensa:

O apostolado-imprensa é, como o apostolado-palavra, a pregação, explicação e aplicação da divina verdade aos povos.

Este pede, portanto: a mesma preparação, as mesmas disposições, os mesmos meios. Dirigir um periódico é bem diferente de fazer um artigo ou livro, ou colaborar numa revista.

O segredo da direção não é apenas dirigir: requer mente, alma e coração sacerdotal que decididamente caminha para o céu e indica o caminho, inovando e atraindo consigo uma multidão de almas. A mente bem iluminada brilha como lâmpada colocada no alto para iluminar a quantos se encontram na casa do Pai. Um coração cheio de graça entra nos corações como fermento evangélico colocado no meio da massa. Uma vida ardente toda para Deus realiza o mandamento do Mestre, e resplandece diante dos homens que veem as boas obras e glorificam o Pai celeste. […] Dirigir verdadeiramente à maneira de Jesus Cristo, inteiramente, tornando-nos caminho, verdade e vida![19]

Respondendo ao chamado de Deus, padre Alberione assim codificou, nas Constituições, a missão da Pia Sociedade de São Paulo:

Os membros trabalhem com todas as forças para a glória de Deus e a salvação das almas… especialmente com o apostolado das edições, isto é, com a imprensa, o cinema e o rádio, e com os outros meios mais frutuosos e mais rápidos, quais são as invenções que o progresso humano fornece e que as necessidades e condições dos tempos requerem. Cuidem, portanto, os superiores que não se deixe para a ruína dos homens coisa nenhuma de tudo aquilo que, por disposição de Deus, o progresso inventou no campo das ciências humanas e da técnica industrial (Art. n. 2).

Cuidado especial de Alberione foi a publicação de Bíblias, livros de catequese, liturgia e patrística. Foram 23 as revistas por ele fundadas, algumas com edições em várias partes do mundo.

Em 1936, padre Alberione se orienta para dar início ao apostolado do cinema. Em 4 de dezembro de 1938, o filme Abuna Messias, filmado na Etiópia pela São Paulo Filmes, obtém o prêmio Leão de Ouro, na Exposição Cinematográfica de Veneza, mas sua divulgação foi duramente comprometida pela guerra.

Não obstante as grandes dificuldades do após-guerra, padre Alberione deu grande impulso ao trabalho pastoral através do cinema. Em agosto de 1950, começou a filmagem de Mater Dei, que foi o primeiro filme totalmente a cores produzido na Itália, totalmente restaurado pelo Centro Experimental de Cinematografia italiano.[20] Foram produzidos documentários catequéticos e filmes bíblicos como O Filho do Homem, A Bíblia, Os Patriarcas, Jacó: o homem que lutou com Deus, Os grandes guias, Saul e Davi, Gedeão e Sansão.

Para oferecer diversão sadia, especialmente na Itália, a São Paulo Filmes comprou e pôs em circulação 400 filmes, distribuídos através de 35 agências e 45 subagências próprias, que serviam a cerca de 3.000 salas cinematográficas.

A partir de 1958, padre Alberione quis desenvolver novo setor de apostolado por meio da produção de discos e audiovisuais.

Ao terminar a primeira visita às comunidades paulinas do Brasil, em 1946, padre Alberione deixou escritas algumas orientações. Numa delas, destaca a urgência de iniciar o apostolado de um jornal diário e do rádio: “A iniciativa do jornal quotidiano ou do rádio (ou de ambos) é considerada como tempestiva e da máxima importância para o Brasil”.

Na realidade, tal apostolado ou ação pastoral por meio do rádio só teve início anos depois, graças a seu apoio também econômico: Rádio Cultura da Bahia (1966) e Rádio Bahia (1967), na Bahia; Rádio América, na cidade de São Paulo (1967); Rádio Vera Cruz, no Rio de Janeiro (1967); Rádio 9 de Julho, em São Paulo (1968); Rádio Olinda, em Pernambuco (1971); Rádio Carioca, no Rio de Janeiro (1981). Em 2000, teve início a Rede PAULUS SAT, com 51 emissoras afiliadas em todo o Brasil.

Como o apóstolo Paulo, Alberione queria chegar aos confins da Terra como comunicador do Evangelho. E de fato, por várias vezes, visitou as comunidades paulinas no mundo inteiro.

Nos inícios do último decênio de sua vida, padre Alberione presenciou e seguiu atentamente os trabalhos do Concílio Vaticano II.[21] Suas propostas à Comissão pré-conciliar foram vinte e quatro. Entre elas: pedido de declaração da mediação universal de Maria; orientação pastoral nos estudos teológicos; renovação litúrgica e catequese; formação do clero secular e religioso; instituição de um dicastério para o uso dos meios de comunicação na evangelização.


Algumas de suas sugestões, passando através do filtro e enriquecimento dos padres conciliares, chegaram até os documentos conciliares. Grande consolação foi para ele o Decreto Inter Mirífica, de 4 de dezembro de 1966. Depois da promulgação, ele publicou na edição italiana de Vida Pastoral um artigo intitulado: “A máxima aprovação do apostolado paulino”. Aí escreve: “O apostolado das edições, o nosso apostolado, foi aprovado, louvado e estabelecido como dever para toda a Igreja: imprensa, cinema, rádio, televisão e similares”.[22]


Momento solene para toda a Família Paulina foi o reconhecimento eclesial da missão do padre Alberione, na audiência do dia 28 de junho de 1969, quando Paulo VI disse:


A Pia Sociedade de São Paulo, com as diversas ramificações e com o volume da sua produção e habilidade da sua irradiação, tornou-se tão grande e vital que constitui um fato notável na vida da Igreja neste século. Ela realizou, ante et post litteram, muitos postulados do Concílio Ecumênico no campo das comunicações sociais. De bom grado brindamos um reconhecimento, elogio e encorajamento. […] Devemos ao vosso fundador, aqui presente, ao caro e venerado padre Alberione, a construção do vosso monumental instituto. Em nome de Cristo, nós lhe agradecemos e o abençoamos. Ei-lo: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, recolhido nos seus pensamentos, que correm da oração à obra (segundo a fórmula tradicional: ora et labora), sempre dedicado a perscrutar os “sinais dos tempos”, isto é, as formas mais geniais para se chegar às almas, o nosso padre Tiago Alberione deu à Igreja novos instrumentos para se comunicar, novos meios para dar vigor e vastidão ao seu apostolado, nova capacidade e nova consciência sobre o valor e a possibilidade da sua missão no mundo moderno e com meios modernos.


[1] AA.VV., Conoscere don Alberione (1884-1907). Strumenti per una biografia, Roma, Centro di Spiritualità Paolina, 1994, p. 321.


[2] A. F. DA SILVA, Ser São Paulo vivente hoje, pro manuscripto, São Paulo, p. 71.


[3] Cf. T. ALBERIONE, Abundantes divitiae gratiae suae, História carismática da Família Paulina, Paulus, 2000 (=AD).


[4] R. ESPOSITO, L’Enciclica Tametsi futura e la notte eucaristica del secolo, San Paolo, 2000.


[5] T. ALBERIONE, A mulher associada ao zelo sacerdotal. Para o clero e para a mulher, Paulus, 2011, p. 249. A sigla oficial do livro é DA, em virtude do título italiano: La donna associata allo zelo sacerdotale. Per il clero e per la donna, Alba, Scuola Tipografica “Piccolo Operaio”, 1915, p. 342.


[6] E. SWOBODA, A cura de almas nas grandes cidades, Estudo de Teologia Pastoral, Roma, Livraria Pontifícia de F. Pustet, 1912, p. 390.


[7] C. KRIEG, Ciência Pastoral, Teologia Pastoral em quatro livros. Versão autorizada a partir da 1ª edição alemã por Antônio Boni. Livro I. Cura especial de almas, Turim, Cav. Pedro Marietti Editor, 1913, p. 652; Livro II. Catequética, ou ciência do catecumenato eclesiástico, idem, 1915, p. 586; Livro III. Homilética, ou ciência da evangelização da Palavra de Deus (livro póstumo), idem, 1920, p. 514. Como se nota, somente três volumes estiveram à disposição de padre Alberione.


[8] C. KRIEG, Enciclopédia científica e metodologia das ciências teológicas, Roma, Livraria Ecl. Editora Cav. Ernesto Coletti, 1913, p. 392.


[9] C. KRIEG, Enciclopédia Científica…, p. 326–327.


[10] Cf. A. F. DA SILVA, “Cristo Caminho, Verdade e Vida, centro da vida, da obra e do pensamento de Padre Tiago Alberione”, em AA.VV., A herança cristocêntrica de padre Alberione, Cinisello Balsamo (Milão), San Paolo, 1989, p. 250.


[11] AA.VV, Dare al mondo Gesù Cristo Via e Verità e Vita, Progetto unitario di Famiglia Paolina, Roma, 19 de março de 2001, p. 232.


[12] AA.VV., Donne e uomini oggi al servizio del vangelo, Roma, Edizioni Centro Spiritualità Paolina, 1993, p. 358.


[13] G. Alberione, Appunti di Teologia Pastorale, Pratica del ministero sacerdotale per il giovane clero, Turim, P. Marietti, 1915, p. I-X e 1-318 (= ATP). Cf. T. Alberione, Anotações de Teologia Pastoral, São Paulo, Paulus, 2012.


[14] G. Borgna, Il Re dei tempi. Mano alla Stampa, Asti, Premiata Scuola Tipografica Michelerio, 1914.


[15] Cf. Unione Cooperatori Buona Stampa, anno IX, n. 8, 20de Agosto de 1926, p. 3.


[16] G. Alberione, Apostolato stampa, Alba, Pia Società San Paolo, 1933, p. 170.


[17] R. Esposito, La teologia della pubblicistica secondo l’insegnamento di G. Alberione, Roma, Edizioni Paoline, 1972, p. 224.


[18] G. Alberione, L’apostolato dell’edizione, Manuale direttivo di formazione e di apostolato, Alba, Tip. Pia Società delle Figlie di San Paolo, 1944, p. 487.


[19] San Paolo, n. 6, 15 dicembre 1934.


[20] AA.VV., Mater Dei, storia e rinascita del primo film italiano a colori, Roma, Fondazione Centro Sperimentale di Cinematografia, 2005, p. 176.


[21] A. Damino, Don Alberione al Concilio Vaticano II, Proposte, Interventi e “Appunti”, Roma 1994, p. 240.


[22] Cf. G. Alberione, Vita Pastorale, janeiro de 1964, p. 1ss.


Antonio F. da Silva, ssp

Padre paulino; fez mestrado em Teologia, com especialização em Espiritualidade, na Universidade Gregoriana (Roma); pertenceu ao Centro de Espiritualidade da Família Paulina, em Ariccia e Roma, onde por três decênios se dedicou ao estudo dos escritos e da preparação da obra completa do bem-aventurado Tiago Alberione. Por vários anos deu curso sobre o pensamento, a pessoa e o carisma do padre Alberione, no Curso de Formação sobre o Carisma da Família Paulina, em Roma. Foi postulador geral da Família Paulina. E-mail: antfrasilva@gmail.com


quarta-feira, 18 de março de 2026

Quaresma, tempo de restauração da vida e o testemunho luminoso de Tecla



 Is 49,8-15 e Jo 5,17-30 em sintonia com o tempo da Quaresma e o testemunho da Venerável Irmã Tecla Merlo

A Palavra de Deus que ouvimos hoje nos coloca diante de uma verdade profundamente consoladora: Deus nunca nos abandona. No livro do profeta Isaías, o Senhor diz algo comovente: “Pode uma mãe esquecer o seu filho? Ainda que ela se esquecesse, eu não me esqueceria de ti” (Is 49,15).

Essa imagem materna revela o coração de Deus. Mesmo quando atravessamos desertos espirituais, provações ou sentimos o peso do pecado — algo muito próprio da experiência quaresmal — Deus permanece fiel. A Quaresma é precisamente o tempo em que somos convidados a redescobrir essa fidelidade de Deus e voltar para Ele de todo o coração.

Isaías fala a um povo que se sentia abandonado. Israel dizia: “O Senhor me abandonou.” Quantas vezes também nós pensamos assim! Diante de dificuldades, crises na fé, problemas familiares, congregacionais, comunitários ou apostólicos, podemos sentir que Deus está distante.

Mas o Senhor responde: “Eu não me esquecerei de ti.” Essa promessa se ilumina ainda mais no Evangelho de hoje. Jesus afirma: “Meu Pai trabalha sempre, e eu também trabalho” (Jo 5,17). Deus não é indiferente à nossa história. Ele continua agindo, salvando, curando, conduzindo.

Jesus revela algo ainda mais profundo: Ele age com a mesma autoridade e o mesmo amor do Pai. Tudo o que o Pai faz, o Filho também faz. O Pai comunica ao Filho a vida, o julgamento e a missão de salvar. Isso significa que, ao olhar para Jesus, nós vemos o próprio coração de Deus em ação.

E aqui encontramos um ponto muito bonito para contemplar no caminho quaresmal: Deus não apenas nos ama — Ele trabalha continuamente pela nossa salvação.

A Quaresma não é um tempo de tristeza, mas de restauração da vida. Jesus diz no Evangelho que chega a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e viverão. Essa palavra fala de ressurreição, mas também fala da vida nova que começa já agora, quando escutamos a voz de Cristo. Escutar a voz de Cristo muda a vida.

É aqui que podemos lembrar o testemunho luminoso da Venerável Irmã Tecla Merlo. Ela foi uma mulher profundamente marcada por essa confiança na ação de Deus. Como Primeira Superiora Geral das Filhas de São Paulo, viveu anos de enormes dificuldades: pobreza, doenças, incompreensões, responsabilidades imensas. Humanamente, muitas vezes parecia impossível continuar. Mas ela tinha uma convicção profunda: Deus conduz a obra!

Assim como o profeta Isaías nos recorda que Deus não esquece seus filhos, Irmã Tecla acreditava firmemente que o Senhor guia a história mesmo nas situações mais frágeis. Sua espiritualidade era marcada pela confiança, pela humildade e pela entrega total à missão.

Ela compreendeu algo essencial do Evangelho de hoje: a obra é de Deus, nós somos apenas colaboradores. Recordemos aqui do livro de Irmã Aparecida Matilde Alves, 2004, sobre a Irmã Dolores Baldi, intitulado Tudo é Obra De Deus. Por isso, mesmo nas cruzes, ela mantinha a paz e a fidelidade. Esse é um ensinamento profundamente quaresmal. A Quaresma nos convida a abandonar a ilusão de controlar tudo e a confiar mais na ação de Deus. 

Outro aspecto muito importante da vida de Irmã Tecla é a sua docilidade à voz de Cristo. No Evangelho, Jesus diz que aqueles que escutam a sua palavra passam da morte para a vida.

A santidade começa exatamente aí: escutar. Escutar na oração. Escutar na Palavra. Escutar nos acontecimentos. Irmã Tecla era uma mulher de silêncio interior, capaz de reconhecer a ação de Deus mesmo nas dificuldades. Por isso sua vida tornou-se fecunda para a Igreja e para a missão evangelizadora.

Hoje a Palavra de Deus nos deixa três convites muito claros para este caminho quaresmal: Confiar no amor fiel de Deus. Mesmo quando nos sentimos esquecidos, Deus nunca nos abandona. Escutar a voz de Cristo. A vida nova começa quando permitimos que sua Palavra transforme o nosso coração. Colaborar com a obra de Deus com humildade, como fez a Venerável Irmã Tecla Merlo, confiando que é o Senhor quem conduz tudo.

Peçamos nesta Eucaristia que o Senhor nos dê um coração confiante e disponível. Que neste tempo de Quaresma possamos experimentar profundamente aquilo que Deus nos promete hoje: Ele nunca se esquece de nós. E que o testemunho da Venerável Irmã Tecla Merlo nos ajude a viver com fé, coragem e fidelidade o chamado que Deus nos faz a fazermos parte da “admirável Família Paulina”. Amém.


Pe. Antônio Lúcio, ssp

Capela da Central Paulinas

São Paulo, 18 de março de 2026

quinta-feira, 12 de março de 2026

Em sintonia com a Quaresma e o Beato Tiago Alberione


Pe. Antônio Lúcio, ssp, celebra semanalmente na Capela Divino Mestre, da Central Paulinas.

Traz sempre uma reflexão sobre a Palavra com aplicações à nossa vida e missão. 

No último dia 11 de março fez a seguinte homilia:

Mt 5,17-19: “Não penseis que vim abolir a Lei
ou os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento.”

Homilia – Em sintonia com a Quaresma e o Beato Tiago Alberione

No coração do Sermão da Montanha, Jesus nos revela algo essencial: Ele não veio abolir a Lei, mas levá-la à plenitude. Não se trata apenas de cumprir normas externas, mas de viver a Lei no seu espírito mais profundo: o amor!

A Quaresma é exatamente este caminho: passar de uma fé superficial para uma fé amadurecida; de uma observância externa para uma conversão interior. Jesus nos convida a ir além do “mínimo necessário” e abraçar a radicalidade do Reino.

Quaresma: tempo de plenitude!

Na Quaresma, intensificamos três práticas: oração, jejum e esmola. Não como simples deveres, mas como meios para permitir que Cristo cumpra em nós a Lei do amor.

A oração nos une ao coração de Cristo.

O jejum nos liberta do egoísmo.

A esmola nos abre à caridade concreta.

Cumprir a Lei, para Jesus, é amar como Ele amou. É permitir que cada mandamento se transforme em vida, misericórdia e fidelidade.

Beato Tiago Alberione: viver e anunciar a plenitude!

O Beato Tiago Alberione compreendeu profundamente que Cristo é o cumprimento de toda a Lei. Seu lema espiritual era viver e anunciar Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida.

Ele não quis apenas conservar a fé, mas torná-la viva e atuante no mundo moderno através dos meios de comunicação. Para ele, cumprir a Lei significava:

Levar o Evangelho a todos

Usar os instrumentos do seu tempo para evangelizar

Formar apóstolos que vivessem integralmente o Cristo

Alberione entendeu que a santidade não está na letra fria, mas na fidelidade criativa ao Evangelho. Em plena sintonia com Mt 5,17-19, ele mostrou que cada “menor mandamento” é precioso quando vivido com amor e espírito missionário.

Aplicação para nós hoje

Jesus afirma que quem praticar e ensinar os mandamentos será grande no Reino dos Céus. Não basta conhecer — é preciso viver e testemunhar.

Nesta Quaresma, somos convidados a perguntar: Minha vivência da fé é apenas formal ou é transformadora?

Tenho permitido que Cristo leve à plenitude minha vida, meus relacionamentos, minhas escolhas?

Sou, como Alberione, apóstolo no ambiente onde Deus me colocou?

Cumprir a Lei à maneira de Cristo é deixar que o amor seja a medida de tudo.

Conclusão

A Quaresma nos conduz ao Calvário e à Ressurreição. Na Cruz, Jesus cumpre plenamente a Lei: Ele ama até o fim. Que, inspirados pelo exemplo do Beato Tiago Alberione, aprendamos a viver uma fé integral, encarnada e missionária — uma fé que não diminui os mandamentos, mas os realiza no amor.

 Que Cristo, Caminho, Verdade e Vida, cumpra em nós a obra que começou. Amém.


Pe. Antônio Lúcio, ssp

Capela da Central Paulinas

São Paulo, 11 de março de 2026

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Segredo de Êxito

 



                                                                           Segredo de êxito