domingo, 29 de maio de 2022

Ofertorio da Comunicação

 


OFERTÓRIO DA COMUNICAÇÃO

UMA ORAÇÃO PARA SE REZAR PELAS COMUNICAÇÕES

O Ofertório da Comunicação, também conhecido por Ofertório  Paulino, é uma oração composta pelo Bem-aventurado Tiago Alberione.

 Três temas centrais a estruturam:  a reparação e a intercessão, o sacrifício – oferta. De 1924, quando foi composta, até 1985, passou por cerca de 20 versões. Em cada versão, revela o conceito de comunicação da época. Inicialmente, a Imprensa, os modernos meios, sobretudo depois da participação do fundador no Concílio Vaticano II. Desde que a compôs, em 1924, Alberione desejava que os colaboradores a rezassem diariamente.Conheça o Ofertório Paulino, oração composta pelo Beato Tiago Alberione, que também escreveu muitas orações a Maria Rainha dos Apóstolos e era um propagador da consagração a Maria segundo São Luiz Maria Grignion de Monfort.

O Ofertório Paulino é uma oração muito querida e importante para Alberione e para nós, hoje. É um convite a aprofundar aspectos essenciais da nossa espiritualidade apostólica paulina, como a reparação, tornar conhecido Jesus Cristo Mestre, e a evangelização pela comunicação.

Alberione é propõe uma espiritualidade encarnada, uma Igreja "em saída".

1. Reparação 

"Para onde caminha esta humanidade?" Perguntava-se Alberione, ao olhar para a sociedade que estava para entrar na era da comunicação. O Fundador da Família Paulina via a sociedade naufragando na in-comunicação. Os meios ameaçavam estar a serviço das aparências, do poder, do domínio econômico, numa palavra, a serviço de uma visão da vida claramente antievangélica.

Desde os inícios disseminavam-se erros e escândalos. massificação, . Comunicadores e interlocutores distanciavam-se do amor do Pai, ignorando o magistério de Cristo e da Igreja. Por isso, para ele, Alberione, o primeiro dever é  reparar o erro e o escândalo. Pedir misericórdia por aqueles que são desviados. Pedir a conversão daqueles que, com os meios de comunicação, exercem uma influência negativa nas pessoas e na sociedade. 

A experiência e a mística de Alberione, mesmo na linguagem e concepção teológica e comunicacional do seu tempo, gerou uma espiritualidade apostólica e uma conversão  pastoral sensível ao seu tempo. 

2. Conhecer e tornar conhecido Jesus, o Mestre perfeito

Que conheçamos e tornemos conhecido Jesus, o Mestre perfeito, e que, por nosso intermédio, todos se encontrem com Jesus, com o seu ensinamento e a sua salvação. É o aspecto positivo da  vocação paulina: viver e comunicar Jesus. É a continuação do mandato conferido aos apóstolos, aos evangelistas, a São Paulo: "Vão  por todo mundo  e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade" (Mc 16,15).

Acreditar, viver e anunciar que Cristo, Filho de Deus, é Mestre perfeito, o caminho único que conduz à verdade, isto é, ao conhecimento do Pai e à participação de sua vida. Transformar a história, tendo  Cristo como centro, caminho, verdade e vida.

Pelo testemunho de vida e qualidade do anúncio, pautado pelos valores do evangelho, o apóstolo/a paulino/a pode transparecer, no anúncio da Boa Notícia, que somente Deus é Deus, acima de todos os ídolos fabricados pelo pensamento humano e pelas tecnologias, decorrentes das tendências do prestígio, do mercado e do consumismo.

3. A evangelização pela comunicação

O terceiro dever que decorre dessa oração paulina da comunicação é a ação através dos meios de comunicação. O Ofertório Paulino pede que os meios de comunicação façam ressoar a mensagem da salvação em todo o mundo. Para isso, pede-se ao Senhor vocações para esta missão, que sejam santas: produtores, técnicos, divulgadores que sejam apóstolos e apóstolas e transmitam a mensagem evangélica, em primeiro lugar com o testemunho.


"Apóstolo é aquele que leva Deus na alma e o irradia ao seu redor", diz Alberione. E diz mais: " O primeiro cuidado da Família Paulina é a santidade de vida, a segunda é a santidade da doutrina". Com o testemunho requer-se a criatividade das iniciativas para promover os valores humanos e cristãos

O nosso apostolado não visa apenas o progresso de cada pessoa, individualmente, mas, sobretudo, criar uma mentalidade nova na sociedade, o que quer dizer dar-lhe uma nova ressignificação centrada em Jesus Cristo. 

Rezemos: 



Ofertório da Comunicação ou Ofertório  Paulino - Tiago Alberione

Senhor, eu vos ofereço, em união com todos os sacerdotes que hoje presidem a Santa Missa, Jesus Hóstia, e a mim mesmo, pequena vítima:

— Em reparação dos erros e escândalos que se difundem no mundo por meio dos instrumentos da comunicação social.

— Para invocar a vossa misericórdia sobre aqueles que, enganados e seduzidos por esses meios potentes, se afastam do vosso amor de Pai.

— Pela conversão daqueles que, no uso destes instrumentos, desconhecem o magistério de Cristo e da Igreja, desviando assim a mente, o coração e a atividade das pessoas.

— Para que todos nós possamos seguir unicamente aquele que vós, ó Pai, na imensidão do vosso amor, enviastes ao mundo proclamando: “Este é meu Filho  Amado, escutai-o”.

— Para conhecer e comunicar que somente Jesus, Verbo encarnado, é o Mestre perfeito, Caminho seguro que conduz ao conhecimento do Pai e à participação de sua vida.

— Para que se multipliquem na Igreja os sacerdotes, os religiosos, as religiosas e os leigos, que, consagrados ao apostolado da comunicação social, façam ressoar, no mundo inteiro, a mensagem da salvação.

— Para que os escritores, produtores, técnicos e divulgadores sejam sábios e santos, e deem testemunho de autêntica vida cristã no âmbito da comunicação social.

— Para pedir que as iniciativas católicas, no setor da comunicação social, cresçam sempre mais em número e eficácia, de tal modo que, promovendo eficazmente os verdadeiros valores humanos e cristãos, possam contrapor-se a voz do erro e do mal.

— Para que todos nós, conhecendo a nossa ignorância e miséria, sintamos a necessidade de aproximar-nos, com humildade e confiança, da fonte da vida e nutrir-nos, ó Pai, da vossa Palavra e do Corpo de Cristo, invocando para todas as pessoas luz, amor e misericórdia.



Fonte: Livro de Orações - Família Paulina


terça-feira, 24 de maio de 2022

"Uma visita de Deus aos lares", assim o Papa Francisco define FAMIGLIA CRISTIANA , na celebração de seus 90 anos


  


No encontro do Papa com os leitores e membros da revista "Família Cristã", no Vaticano, Francisco recordou o Bem-aventurado Tiago Alberione que deu início à revista católica das famílias. 

“É preciso semear boas ideias 

para que produzam boas obras. 

Trata-se de um talento 

que Deus nos dá: por isso, 

deve produzir frutos”



O Papa Francisco recebeu, na manhã de sábado (21/5/2022), no Vaticano, leitores e membros da revista "Família Cristã", a revista católica mais difundida na Itália, que festeja 90 anos de atividades:

"é como uma boa avó, que viu de tudo na sua vida, mas também adquiriu sabedoria".

"Tudo nasceu do espírito apostólico do Bem-aventurado Tiago Alberione, disse o Papa, que queria uma revista que levasse às famílias uma visão cristã da realidade, da atualidade, dos grandes temas do mundo e da Igreja. Neste seu projeto, envolveu toda a Família Paulina: os sacerdotes, encarregados da sua direção e edição; os religiosos, da fase técnica de imprensa; as Irmãs, para a divulgação nas casas dos católicos; e, todos juntos, para a sensibilização nas paróquias. Mas, logo, esta forma de colaboração se ampliou aos jornalistas e especialistas em todos os setores".


A este respeito, o Papa recordou o que Padre Alberione dizia aos seus jovens sacerdotes, em 1915: 

“É preciso semear boas ideias para que produzam boas obras: ideias religiosas, sociais, econômicas, de virtude e higiene. Trata-se de um talento que Deus nos dá: por isso, deve produzir frutos”.


 E dirigindo-se à grande Família Paulina, Francisco disse:

“Queridos amigos, os leitores e as leitoras, ou seja, vocês são o verdadeiro patrimônio de uma revista como a Família Cristã. De fato, a direção, a redação e os jornalistas sempre fomentaram o contato com as pessoas. Esta relação deve ser mantida também na transformação digital da nossa época”

Uma visita de Deus aos lares

O Papa citou ainda a ideia do fundador das Edições Paulinas: 

“É preciso começar a levar o cinema às paróquias e fazer assinaturas de revistas católicas. A revista católica deve ser como uma visita que Deus faz aos lares”


.

Principais diretrizes editoriais

Aqui, Francisco destacou as principais diretrizes editoriais dos Paulinos:

“Cuidar das relações, como chave prática da comunicação, e das redes, como lugares de colaboração, significados e conteúdos; buscar novas formas de presença e ação, ligadas não tanto aos meios, mas, sobretudo, à cultura e à nova gramática da comunicação; este serviço deve ser prestado a todo o Povo de Deus, de modo particular, aos homens e mulheres, que vivem nas periferias”. 

Tais diretrizes, explicou o Papa, são sempre válidas, mas devem ser atualizadas, segundo as orientações da evangelização:

“Hoje, abrem-se, diante de nós, sobretudo dois caminhos: o da fraternidade e o da ecologia integral. Mas, o método permanece sempre o mesmo: diálogo e escuta, que permitem cultivar as relações”.

"A respeito de diálogo, disse ainda o Papa, devemos saber que não deve ser reduzido a um mero intercâmbio de dados ou informações, e que a relação com o outro não deve se limitar apenas a uma conexão. Um simples contato não pode ser confundido como sinal de diálogo e interação ou simples troca de mensagens, com uma verdadeira comunicação".


 Um caminho de "saída"

Por fim, Francisco disse à Família Paulina: 

“Para conhecer os interlocutores da sua missão e se aproximar deles, o comunicador deve fazer um caminho de 'saída', mudando, se necessário, suas atitudes e mentalidade. Eis o exemplo do apóstolo Paulo, que ao comunicar o Evangelho criou relacionamentos e comunidades”.

"Esta será também a direção do próximo Capítulo Geral dos membros da Sociedade de São Paulo: "Deixem-se transformar, renovando seu modo de pensar", ou seja, vocês são chamados a ser artesãos de comunhão para anunciar profeticamente a alegria do Evangelho na cultura da comunicação".

Francisco concluiu seu pronunciamento pedindo para rezar pela revista “Família Cristã” e os outras tantas revistas, livros, televisão, multimídia e atividades educativas, na Itália e no mundo, para que sejam sempre renovados, segundo o Evangelho, com o zelo do apóstolo Paulo.


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Mensagem do Papa Francisco para o 56º dia Mundial das Comunicações Sociais

 Escutar com o ouvido do coração




Queridos irmãos e irmãs!

No ano passado, refletimos sobre a necessidade de «ir e ver» para descobrir a realidade e poder narrá-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas. Continuando nesta linha, quero agora fixar a atenção noutro verbo, «escutar», que é decisivo na gramática da comunicação e condição para um autêntico diálogo.

Com efeito, estamos perdendo a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações quotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil. Ao mesmo tempo, a escuta experimenta um novo e importante desenvolvimento em campo comunicativo e informativo, através das várias ofertas de podcast e chat audio, confirmando que a escuta continua essencial para a comunicação humana.

A um médico ilustre, habituado a cuidar das feridas da alma, foi-lhe perguntada qual era a maior necessidade dos seres humanos. Respondeu: «O desejo ilimitado de ser ouvidos». Apesar de frequentemente oculto, é um desejo que interpela toda a pessoa chamada a ser educadora, formadora, ou que desempenhe de algum modo o papel de comunicador: os pais e os professores, os pastores e os agentes pastorais, os operadores da informação e quantos prestam um serviço social ou político.

Escutar com o ouvido do coração

A partir das páginas bíblicas aprendemos que a escuta não significa apenas uma percepção acústica, mas está essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. O «shema’ Israel – escuta, Israel» (Dt 6, 4) – as palavras iniciais do primeiro mandamento do Decálogo – é continuamente lembrado na Bíblia, a ponto de São Paulo afirmar que «a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). De fato, a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça, como acontece com o recém-nascido que responde ao olhar e à voz da mãe e do pai. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegia precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando consequentemente mais livre o ser humano.

A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso «inclina o ouvido» para o escutar.

O homem, ao contrário, tende a fugir da relação, a virar as costas e «fechar os ouvidos» para não ter de escutar. Esta recusa de ouvir acaba muitas vezes por se transformar em agressividade sobre o outro, como aconteceu com os ouvintes do diácono Estêvão que, tapando os ouvidos, atiraram-se todos juntos contra ele (cf. At 7, 57).

Assim temos, por um lado, Deus que sempre Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, o homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor.

Por isso Jesus convida os seus discípulos a verificar a qualidade da sua escuta. «Vede, pois, como ouvis» (Lc 8, 18): faz-lhes esta exortação depois de ter contado a parábola do semeador, sugerindo assim que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Só quem acolhe a Palavra com o coração «bom e virtuoso» e a guarda fielmente é que produz frutos de vida e salvação (cf. Lc 8, 15). Só prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos e ao modo como ouvimos é que podemos crescer na arte de comunicar, cujo cerne não é uma teoria nem uma técnica, mas a «capacidade do coração que torna possível a proximidade» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 171).

Ouvidos, todos temos; mas muitas vezes mesmo quem possui um ouvido perfeito, não consegue escutar o outro. Pois existe uma surdez interior, pior do que a física. De fato, a escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A verdadeira sede da escuta é o coração. O rei Salomão, apesar de ainda muito jovem, demonstrou-se sábio ao pedir ao Senhor que lhe concedesse «um coração que escuta» ( 1 Rs 3, 9). E Santo Agostinho convidava a escutar com o coração (corde audire), a acolher as palavras, não exteriormente nos ouvidos, mas espiritualmente nos corações: «Não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração» [1]. E São Francisco de Assis exortava os seus irmãos a «inclinar o ouvido do coração» [2].

Por isso, a primeira escuta a reaver quando se procura uma comunicação verdadeira é a escuta de si mesmo, das próprias exigências mais autênticas, inscritas no íntimo de cada pessoa. E não se pode recomeçar senão escutando aquilo que nos torna únicos na criação: o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. Não fomos feitos para viver como átomos, mas juntos.

A escuta como condição da boa comunicação

Há um uso do ouvido que não é verdadeira escuta, mas o contrário: o espionar. De fato, uma tentação sempre presente, mas que neste tempo da social web parece mais assanhada, é a de procurar saber e espiar, instrumentalizando os outros para os nossos interesses. Ao contrário, aquilo que torna boa e plenamente humana a comunicação é precisamente a escuta de quem está à nossa frente, face a face, a escuta do outro abeirando-nos dele com abertura leal, confiante e honesta.

Esta falta de escuta, que tantas vezes experimentamos na vida quotidiana, é real também, infelizmente, na vida pública, onde com frequência, em vez de escutar, «se fala pelos cotovelos». Isto é sintoma de que se procura mais o consenso do que a verdade e o bem; presta-se mais atenção à audiência do que à escuta. Ao invés, a boa comunicação não procura prender a atenção do público com a piada sem valor visando ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura fazer compreender a complexidade da realidade. É triste quando surgem, mesmo na Igreja, partidos ideológicos, desaparecendo a escuta para dar lugar a estéreis contraposições.

Na realidade, em muitos diálogos, efetivamente não comunicamos; estamos simplesmente à espera que o outro acabe de falar para impor o nosso ponto de vista. Nestas situações, como observa o filósofo Abraham Kaplan [3], o diálogo não passa de duologo, ou seja um monólogo a duas vozes. Ao contrário, na verdadeira comunicação, o eu e o tu encontram-se ambos «em saída», tendendo um para o outro.

Portanto, a escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar. Para fornecer uma informação sólida, equilibrada e completa, é necessário ter escutado longamente. Para narrar um acontecimento ou descrever uma realidade numa reportagem, é essencial ter sabido escutar, prontos mesmo a mudar de ideia, a modificar as próprias hipóteses iniciais.

Com efeito, só se sairmos do monólogo é que podemos chegar àquela concordância de vozes que é garantia duma verdadeira comunicação. Ouvir várias fontes, «não parar na primeira » – como ensinam os especialistas do oficio – garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos. Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes.

Entretanto para quê enfrentar este esforço da escuta? Um grande diplomata da Santa Sé, o cardeal Agostinho Casaroli, falava de «martírio da paciência», necessário para escutar e fazer-se escutar nas negociações com os interlocutores mais difíceis a fim de se obter o maior bem possível em condições de liberdade limitada. Mas, mesmo em situações menos difíceis, a escuta requer sempre a virtude da paciência, juntamente com a capacidade de se deixar surpreender pela verdade – mesmo que fosse apenas um fragmento de verdade – na pessoa que estamos a escutar. Só o espanto permite o conhecimento. Penso na curiosidade infinita da criança que olha para o mundo em redor com os olhos arregalados. Escutar com este estado de espírito – o espanto da criança na consciência dum adulto – é sempre um enriquecimento, pois haverá sempre qualquer coisa, por mínima que seja, que poderei aprender do outro e fazer frutificar na minha vida.

A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à «informação oficial», causou também uma espécie de «info-demia» dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação. É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades econômicas.

A própria realidade das migrações forçadas é uma problemática complexa, e ninguém tem pronta a receita para a resolver. Repito que, para superar os preconceitos acerca dos migrantes e amolecer a dureza dos nossos corações, seria preciso tentar ouvir as suas histórias. Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias! Depois cada qual será livre para sustentar as políticas de migração que considerar mais apropriadas para o próprio país. Mas então teremos diante dos olhos, não números nem invasores perigosos, mas rostos e histórias de pessoas concretas, olhares, expectativas, sofrimentos de homens e mulheres para ouvir.

Escutar-se na Igreja

Também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros. Nós, cristãos, esquecemo-nos de que o serviço da escuta nos foi confiado por Aquele que é o ouvinte por excelência e em cuja obra somos chamados a participar. «Devemos escutar através do ouvido de Deus, se queremos poder falar através da sua Palavra» [4]. Assim nos lembra o teólogo protestante Dietrich Bonhöffer que o primeiro serviço na comunhão que devemos aos outros é prestar-lhes ouvidos. Quem não sabe escutar o irmão, bem depressa deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus [5].

Na ação pastoral, a obra mais importante é o «apostolado do ouvido». Devemos escutar, antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago: «cada um seja pronto para ouvir, lento para falar» (1, 19). Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade.

Recentemente deu-se início a um processo sinodal. Rezemos para que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. Com efeito, a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs. Como num coro, a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia. Ao mesmo tempo, cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto. Esta harmonia é concebida pelo compositor, mas a sua realização depende da sinfonia de todas e cada uma das vozes.

Cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfônica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.

Roma, São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2022.

Francisco

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Logo do Ano Bíblico da Família Paulina


 2020 - 2021

A logo, evitando distrair o observador, utiliza formas e cores simples. 

O semeador, desenhado em posição de movimento e inclinado para frente, lança com sua mão 10 sementes que simbolizam os 10 componentes da Família Paulina. 

As diferentes dimensões e direções das sementes indicam as diversas capacidades e esferas sociais nas quais eles são chamados a plantar a si mesmo. 

O vermelho, por outro lado, é a cor universal do zelo e da paixão. É a cor do sangue que nos impulsiona a fixar o nosso olhar sobre um objetivo, neste caso que a Palavra do Senhor possa ser amplamente difundida.

Oração do Ano Bíblico da Família Paulina

 




Ó Jesus, verdadeira luz

que ilumina a humanidade,

viestes do Pai para ser o nosso Mestre

e nos ensinar seu caminho na verdade:

Vida e Espírito são as "palavras"

que nos destes.

Concedei-nos conhecer os

mistérios de Deus

e suas incompreensíveis riquezas.

Mostrai-nos todos os

tesouros da sabedoria

e da ciência de Deus

que em vós estão guardados.

Fazei com que a Palavra habite a

nossa vida, e

ilumine nossos passos.

Fazei com que a Palavra se espalhe

rapidamente e chegue até

os confins da terra.

Maria Rainha dos Apóstolos

e os santos Pedro e Paulo

sejam nosso exemplo, inspiração e guia. Amém.


Oração livremente inspirada no texto de Pe. Alberione - Leggete Le Sacre Scritture (p.320)

ANO BÍBLICO DA FAMÍLIA PAULINA - 20020-2021



26 de novembro de 2020 a 26 de novembro de 2021,

Ano da Palavra de Deus

 “Para que a Palavra do Senhor circule” (2Ts 3,1).

 

 Carta do Governo Geral da Família Paulina

Roma, 30 de maio de 2020 

Solenidade da Rainha dos Apóstolos

 

Estimados irmãos e irmãs, Membros dos Institutos Agregados, Cooperadores Paulinos,

 

neste dia que nos unimos em torno a Maria Santíssima, nossa Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos, damos a conhecer a oração e o logo que a Comissão Bíblica central preparou para o Ano Bíblico da Família Paulina, que iniciará no dia 26 de novembro próximo, 49º aniversário da eterna Páscoa do Bem-aventurado Tiago Alberione, nosso Fundador.


oração é livremente inspirada no texto escrito pelo Pe. Alberione e publicado em seu livro

Leggete le Sacre Scritture (p. 320). (anexo 1)

Sobre o logo, em anexo segue nota explicativa que facilitará a compreensão e aplicação em cada iniciativa do Ano Bíblico. (anexo 2)


Confiamos a Maria, Rainha dos Apóstolos, o caminho da Família Paulina durante este Ano Bíblico que estamos prestes a viver, na vida e no apostolado. Ela que foi a primeira discípula, acolhendo em seu ventre o Verbo de Deus, e depois mãe, dando à luz Jesus de Nazaré, guie nossos passos para que a Palavra de Deus se espalhe rapidamente em nós e ao nosso redor, na cultura da comunicação.


Nesse sentido, renovando a visão apostólica do Pe. Alberione, aprofundamos a atualidade do que ele nos disse: «Com o termo “edição”, não entendemos apenas um livro: nos referimos a outras coisas. A palavra edição tem muitas aplicações: edição do periódico, edição daqueles que preparam o roteiro para o filme, que preparam o programa para a televisão, que preparam coisas para se comunicar por meio do rádio. “Edidit nobis Salvatorem”, diz a liturgia. A Virgem Maria nos deu o Salvador. Usa o verbo “edidit”. A edição inclui o conceito artístico, o estudo para produzir um objeto que seja ao mesmo tempo litúrgico e artístico. Também inclui o trabalho das Irmãs que se preparam para fazer o catecismo às crianças e depois realmente, na caridade, o explicam.» (Per un rinnovamento spirituale).



Com o desejo de um frutuoso caminho de preparação, saudamos cada um de vocês.


Pe. Valdir José De Castro, ssp

Ir. Anna Caiazza,fsp

Ir. M. Micaela Monetti, pddm

Ir. Aminta Sarmiento Puentes, sjbp

Ir. Marina Beretti, ap




 

GRUPO LEITURA ORANTE 

O grupo Leitura Orante da Palavra nas Cartas de Paulo Apóstolo, sugere

que esta Leitura seja feita todos os meses, no dia 26 (em memória do bem-aventurado Alberione), das 19 às 20h, por meio de Lives.

O objetivo é chegar a toda a Família Paulina.

As Lives serão assumidas pela equipe organizadora, com divulgação por meio de posts, tendo a cada mês um representante de um Instituto da Família Paulina, apresentando e fazendo a Leitura Orante da Carta.

As Lives serão motivação ou apoio e todos/as membros da Família Paulina poderão aprofundar uma carta por mês conforme o blog.

LEITURA ORANTE DA CARTAS DE SÃO PAULO - FP

https://cartaspauloap.blogspot.com

Ao ler as Cartas de Paulo notar que, com frequência, ele usa expressões tais como: tudo, todo, sempre, continuamente, sem cessar,para mostrar sua preocupação com todos. Isto tem forte expressão para nós quando Alberione  insiste na integralidade, na totalidade.

Ao fazer a Leitura de cada Carta, seria bom nos perguntar:

- Quais os problemas que estão por detrás desse texto?

- A quais questionamentos Paulo responde?

- Por que ele precisou escrever?

 

Para entender essas questões, as Introduções às Cartas serão uma ajuda indispensável, bem como as notas.

 

Finalmente, lendo as Cartas em ordem cronológica, será possível acompanhar os temas que mais nos interessam, por exemplo:

 

- como deve ser a comunidade à qual Paulo se dirige?

- o que significa ser cristão, hoje?

- qual a tarefa do agente de pastoral, em cada realidade?

- qual o projeto de Deus para a Família Paulina no mundo de hoje?

- como levar à frente a missão paulina?

- com qual linguagem a Palavra de Deus pode ser entendida e vivida hoje?

- como viver a integralidade de Paulo e Alberione hoje, como Família Paulina?

Sugerimos um roteiro de Lives (ordem cronológica):