terça-feira, 27 de outubro de 2009

EXPERIÊNCIA DA CRISE

As circunstâncias, também as mais dolorosas, ajudaram Alberione a crescer e a agir mais eficazmente para o bem dos outros. Fazer história com a Igreja do próprio tempo significa caminhar com o homem no seguimento de Cristo.

As numerosas correntes
E isso oferece segurança de direção no meio das numerosas correntes da cultura, entre progressistas e conservadores, entre discípulos do evangelho e mestres de autoridade duvidosa. Pe. Alberione aprende a pensar e a trabalhar pastoralmente.

As citações de eventos e datas históricas sucedem-se  e todas mostram a importância que Alberione atribui à historicização da sua obra; vale dizer, fazer história da salvação juntamente com os homens da própria geração. A viver, também se é necessário, perigosamente, disposto a pagar pessoalmente pela fidelidade à tarefa que lhe foi confiada pela Providência.

Desafios da história pessoal: trabalho, saúde
Existem na vicissitude pessoal de Alberione momentos em que a vida está em perigo, também pelo excesso de trabalho.
Através de grave crise de saúde, que parece comprometer de modo irreparável a continuidade da sua obra, ele experimenta que sem Deus nada é possível e que a vida deve ser jogada na fé.
O “ir para frente com fé” em caminhos novos, forte de caridade apostólica que renova o impulso missionário e organizador de Paulo, torna-se assim expressão ulterior da história salvífica e, em nosso caso, paradigma carismático para toda a Família Paulina.

Desafios de empresas e lançamentos diversos
Nos anos 50 Pe. Alberione atingira o seu nível máximo. Em torno dele ferviam empresas e lançamentos em todas as frentes: e ele, habituado desde sua adolescência a respirar o ar dos grandes espaços e a perceber sinais da Igreja universal, sentia congenial a si mesmo o despertar primaveril sucessivo à paz de 1945 e conciliado pela autoridade carismática do papa Pio XII. Iniciativas de grande fôlego entrelaçavam-se com movimentos locais de forte impacto popular, como a cruzada por um “Mundo Melhor” e a  Peregrinatio Mariae”: expressões de despertar mais vasto, favorecido pelas celebrações do jubileu de 1950 e pelo Ano mariano de 1954. São conhecidos os debates teológicos e os tímidos sinais de reforma — litúrgica, pastoral etc. — que escandiram o caminho da Igreja naqueles anos, e aos quais Pe. Alberione quis associar-se com artigos nos periódicos Vita Pastorale, Orizzonti e Madre di Dio, por exemplo, em favor de renovação pastoral e de relançamento mariano, com a proposta de definição dogmática da mediação universal de Maria. Debates, às vezes acompanhados de sofrimentos, vetos e tensões políticosociais, que prepararam o clima para o concílio Vaticano II. Tampouco subtraíam-se ao Pe. Alberione os grandes eventos da política nacional e internacional daquele período (pense-se na “guerra fria” e nas vicissitudes que acompanharam
a morte de Stalin em 1953); eventos que seguia pelos jornais e às vezes pelos contatos com pessoas empenhadas diretamente na vida pública. É sabido que Alberione não era inclinado a alinhamentos fáceis, e como seguia as orientações da Igreja inspirando-se preferencialmente no Evangelho e observando os fatos como que do alto, com o olhar em Deus.

Crises na Família Paulina
O roteiro para a aprovação canônica das congregações femininas corria expeditamente, depois da grave crise de 1946-1948 que ameaçara a vida das Irmãs Pias Discípulas. A 15 de março de 1953 chegou a aprovação pontifícia das Filhas de São Paulo, e a 22 de abril de 1953 a aprovação diocesana das Irmãs de Jesus Bom Pastor. Isso, porém, não isentava o fundador de estar presente nem de lhe solicitar o caminho, quando se perfilavam dificuldades.

Situações críticas em missão
O empenho da presença e animação às comunidades longínquas com as grandes viagens intercontinentais. Obra mais pesada e estressante entre todas, iniciada no imediato pós-guerra, com a primeira viagem à América (1946), para o Oriente e as Américas (1949) e retomada em 1952-1953 com nova visita aos países do Oriente, da Oceania e do continente americano. Durante essas viagens, como testemunharam
as superioras gerais das Filhas de São Paulo e das Pias Discípulas, Mestra Tecla e Madre Lúcia Ricci, que
o acompanhavam, — Pe. Alberione atravessou situações de saúde tão críticas a ponto de duvidar da sua vida. Nunca, porém, quis mudar trajetos nem programas, preocupado somente em respeitar os empenhos assumidos com as comunidades que o esperavam na próxima etapa. Um documento do espírito que presidia essas viagens constitui-o as anotações redigidas no avião: esboços de orações, como as “Invocações a Jesus Mestre” redigidas enquanto sobrevoava os Andes americanos, ou considerações de caráter missionário, como as notas sobre a situação religiosa dos povos vistos do alto, enquanto sobrevoava a cadeia do Himalaia e o subcontinente indiano (cf. os artigos do San Paolo dedicados a essas viagens e colecionados em Carissimi in San Paolo, pp. 1007-1043).

"Olhar penetrante"
Entre uma viagem e outra, Alberione escrevia. É difícil excluir da sua reflexão o hoje e o mundo, que ele perscrutava não como turista, e sim com “olho penetrante” do apóstolo e do profeta. Os eventos vividos pelo interior ou lidos no jornal, tornam-se argumentos de meditação. “Aprendera do Côn. Chiesa a transformar tudo em objeto de meditação e de oração ao Mestre Divino: para adorar, agradecer,
propiciar, pedir” (AD 68).

Para pensar
1) Atualização contínua de mentalidade e de praxe é importante para estabelecer a continuidade com o caminhar com os tempos, progredir, organizar, “vagar com a mente no futuro”, trabalhando no próprio ambiente.
2) “Visões”, inspirações ou “sonhos” também são úteis para descobrir a vontade de Deus, além dos limites de intelectualismo árido, de legalismo sufocante ou de cientismo que excluíssem o “sobrenatural” ou a “graça”.
3) O discernimento contínuo é indipensável e, portanto, a direção espiritual, o conselho, as leituras com vistas ao próprio crescimento e à clareza da visão pastoral acerca das necessidades do mundo.
4) Cumpre assumir sem temores o progresso ou a modernidade, como tensões cotidianas para o cumprimento da nossa vocação apostólica.
5) A cooperação entre as instituições e o laicato são condição para desenvolver a Família Paulina, de sorte a realizar efetivamente o programa missionário e espiritual de “são Paulo vivo hoje”.
6) Faz-se necessário reavaliar o gênero literário da “narração” como veículo para comunicar a mensagem do Mestre Divino, no estilo dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos.
7)  Expressões mais simples devem ser assumidas: o primado do Espírito sobre os meios, do “sobrenatural” sobre o “natural”, da “graça” sobre a instituição; a onipotência da fé, não obstante as deficiências humanas: o apóstolo pode ser frágil e pobre, mas com Deus tudo lhe é possível.
8) A História Carismática revela-se, não apenas como história de eventos passados, e sim como chave de leitura para o nosso presente e profecia para o futuro de toda a  Família Paulina.

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